ÐÏࡱá>þÿ ýÿþÿÿÿùúûüÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿì¥Áq`ø¿ŒÑbjbjqPqP>°::fÈ%ÿÿÿÿÿÿ¤@ @ @ @ @ @ @ T Ü~Ü~Ü~8L`,T 0²:˜‚š 2"TTT3¦ ٙĜd£±¥±¥±¥±¥±¥±¥±$j´hÒ¶Äɱ!@ ƒ¢/3ƒ¢ƒ¢É±@ @ TTÛ걋°‹°‹°ƒ¢ @ T@ T£±‹°ƒ¢£±‹°‹°@ @ ‹°TŒ‚ ¸Ïþÿ–ÅÜ~#¦$‹°£±²00²‹°–·G­Ô–·‹°–·@ ‹°žæçž¤‹°‹Ÿ„ tžžžÉ±É±°pžžž0²ƒ¢ƒ¢ƒ¢ƒ¢T T T tX}„T T T X}T T T @ @ @ @ @ @ ÿÿÿÿ  MðEðTðOðDðOðLðOðGðIðAð ðCðIðEðNðTðÍðFðIðCðAð OðSð ðCðAðMðIðNðHðOðSð ðDðOð ðSðAðBðEðRð .ð.ð.ð.ð.ð cðoðmðpðiðlðaðçðãðoð ðdðeð SðIðMðÃðOð ðDðEð ðMðIðRðAðNðDðAð  HYPERLINK "mailto:simaodemiranda@unb.br" simaodemiranda@unb.br  HYPERLINK "http://www.ludico.kit.net" www.ludico.kit.net /jkpedagogia.html  TOC \o "1-3" \h \z \t "Ícaro 1;1;Ícaro 2;2;Ícaro 3;3"  SUMÁRIO  HYPERLINK \l "_Toc110691135" CAPÍTULO I  PAGEREF _Toc110691135 \h 5  HYPERLINK \l "_Toc110691136" A CIÊNCIA  PAGEREF _Toc110691136 \h 5  HYPERLINK \l "_Toc110691137" Medo, Misticismo e Ciência  PAGEREF _Toc110691137 \h 5  HYPERLINK \l "_Toc110691138" A evolução da ciência  PAGEREF _Toc110691138 \h 5  HYPERLINK \l "_Toc110691139" Definição de Ciência  PAGEREF _Toc110691139 \h 6  HYPERLINK \l "_Toc110691140" As Vantagens do Método Científico  PAGEREF _Toc110691140 \h 7  HYPERLINK \l "_Toc110691141" Tipos de Investigação Científica  PAGEREF _Toc110691141 \h 7  HYPERLINK \l "_Toc110691142" Classificação Quanto aos Objetivos  PAGEREF _Toc110691142 \h 7  HYPERLINK \l "_Toc110691143" CONCEITOS FUNDAMENTAIS  PAGEREF _Toc110691143 \h 7  HYPERLINK \l "_Toc110691144" O Método Científico  PAGEREF _Toc110691144 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691145" MÉTODO INDUTIVO  PAGEREF _Toc110691145 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691146" MÉTODO DEDUTIVO  PAGEREF _Toc110691146 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691147" MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO  PAGEREF _Toc110691147 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691148" MÉTODO DIALÉTICO  PAGEREF _Toc110691148 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691149" MÉTODO FENOMENOLÓGICO  PAGEREF _Toc110691149 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691150" TÉCNICAS DE RACIOCÍNIO  PAGEREF _Toc110691150 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691151" Indução  PAGEREF _Toc110691151 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691152" Dedução  PAGEREF _Toc110691152 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691153" Análise e Síntese:  PAGEREF _Toc110691153 \h 8  HYPERLINK \l "_Toc110691154" MÉTODO  PAGEREF _Toc110691154 \h 9  HYPERLINK \l "_Toc110691155" TÉCNICA  PAGEREF _Toc110691155 \h 9  HYPERLINK \l "_Toc110691156" O método científico  PAGEREF _Toc110691156 \h 9  HYPERLINK \l "_Toc110691157" CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691157 \h 9  HYPERLINK \l "_Toc110691158" A NATUREZA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691158 \h 10  HYPERLINK \l "_Toc110691159" FASES DO MÉTODO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691159 \h 10  HYPERLINK \l "_Toc110691160" MÉTODO DIALÉTICO  PAGEREF _Toc110691160 \h 11  HYPERLINK \l "_Toc110691161" NA ANTIGUIDADE  PAGEREF _Toc110691161 \h 11  HYPERLINK \l "_Toc110691162" DIALÉTICA HEGELIANA  PAGEREF _Toc110691162 \h 11  HYPERLINK \l "_Toc110691163" DIALÉTICA MARXISTA  PAGEREF _Toc110691163 \h 11  HYPERLINK \l "_Toc110691164" O CONHECIMENTO  PAGEREF _Toc110691164 \h 12  HYPERLINK \l "_Toc110691165" TIPOS DE CONHECIMENTO.  PAGEREF _Toc110691165 \h 13  HYPERLINK \l "_Toc110691166" CONHECIMENTO VULGAR  PAGEREF _Toc110691166 \h 13  HYPERLINK \l "_Toc110691167" CONHECIMENTO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691167 \h 14  HYPERLINK \l "_Toc110691168" CONHECIMENTO FILOSÓFICO  PAGEREF _Toc110691168 \h 14  HYPERLINK \l "_Toc110691169" CONHECIMENTO TEOLÓGICO  PAGEREF _Toc110691169 \h 14  HYPERLINK \l "_Toc110691170" CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA  PAGEREF _Toc110691170 \h 15  HYPERLINK \l "_Toc110691171" O PAPEL DA METODOLOGIA CIENTÍFICA  PAGEREF _Toc110691171 \h 15  HYPERLINK \l "_Toc110691172" OBJETIVOS DA CIÊNCIA  PAGEREF _Toc110691172 \h 16  HYPERLINK \l "_Toc110691173" OBJETIVOS DA ATIVIDADE CIENTÍFICA  PAGEREF _Toc110691173 \h 16  HYPERLINK \l "_Toc110691174" CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA DO PONTO DE VISTA DA INVESTIGAÇÃO  PAGEREF _Toc110691174 \h 16  HYPERLINK \l "_Toc110691175" CONHECIMENTO INTUITIVO  PAGEREF _Toc110691175 \h 17  HYPERLINK \l "_Toc110691176" CONHECIMENTO RACIONAL  PAGEREF _Toc110691176 \h 17  HYPERLINK \l "_Toc110691177" CONHECIMENTO INTELECTUAL  PAGEREF _Toc110691177 \h 17  HYPERLINK \l "_Toc110691178" CONHECIMENTO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691178 \h 17  HYPERLINK \l "_Toc110691179" A NEUTRALIDADE CIENTÍFICA  PAGEREF _Toc110691179 \h 18  HYPERLINK \l "_Toc110691180" CAPÍTULO II  PAGEREF _Toc110691180 \h 19  HYPERLINK \l "_Toc110691181" A PREPARAÇÃO DA PESQUISA  PAGEREF _Toc110691181 \h 19  HYPERLINK \l "_Toc110691182" A PESQUISA  PAGEREF _Toc110691182 \h 19  HYPERLINK \l "_Toc110691183" ESCOLHA DO TEMA DO PROJETO DE PESQUISA  PAGEREF _Toc110691183 \h 19  HYPERLINK \l "_Toc110691184" Fatores internos  PAGEREF _Toc110691184 \h 19  HYPERLINK \l "_Toc110691185" Fatores Externos  PAGEREF _Toc110691185 \h 20  HYPERLINK \l "_Toc110691186" TÉCNICAS DE PESQUISA  PAGEREF _Toc110691186 \h 20  HYPERLINK \l "_Toc110691187" ENFOQUES DE PESQUISA: O BINÔMIO QUANTITATIVO/QUALITATIVO  PAGEREF _Toc110691187 \h 23  HYPERLINK \l "_Toc110691188" PESQUISA QUANTITATIVA  PAGEREF _Toc110691188 \h 23  HYPERLINK \l "_Toc110691189" PESQUISA QUALITATIVA  PAGEREF _Toc110691189 \h 23  HYPERLINK \l "_Toc110691190" O PROBLEMA DE PESQUISA  PAGEREF _Toc110691190 \h 24  HYPERLINK \l "_Toc110691191" A FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES CIENTÍFICAS  PAGEREF _Toc110691191 \h 24  HYPERLINK \l "_Toc110691192" INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS  PAGEREF _Toc110691192 \h 25  HYPERLINK \l "_Toc110691193" QUESTIONÁRIOS  PAGEREF _Toc110691193 \h 25  HYPERLINK \l "_Toc110691194" ENTREVISTA  PAGEREF _Toc110691194 \h 26  HYPERLINK \l "_Toc110691195" OBSERVAÇÃO  PAGEREF _Toc110691195 \h 26  HYPERLINK \l "_Toc110691196" REGISTROS ICONOGRÁFICOS:  PAGEREF _Toc110691196 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691197" ANÁLISE DE CONTEÚDO:  PAGEREF _Toc110691197 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691198" HISTÓRIA DE VIDA:  PAGEREF _Toc110691198 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691199" TESTES  PAGEREF _Toc110691199 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691200" A Internet:  PAGEREF _Toc110691200 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691201" O PROJETO DE PESQUISA  PAGEREF _Toc110691201 \h 27  HYPERLINK \l "_Toc110691202" DICAS PARA REDAÇÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS  PAGEREF _Toc110691202 \h 28  HYPERLINK \l "_Toc110691203" VERBOS SUGERIDOS PARA INDICAR OBJETIVOS EM PROJETOS E PESQUISAS  PAGEREF _Toc110691203 \h 29  HYPERLINK \l "_Toc110691204" REVISÃO DA LITERATURA  PAGEREF _Toc110691204 \h 29  HYPERLINK \l "_Toc110691205" JUSTIFICATIVA  PAGEREF _Toc110691205 \h 30  HYPERLINK \l "_Toc110691206" METODOLOGIA  PAGEREF _Toc110691206 \h 30  HYPERLINK \l "_Toc110691207" ANEXOS OU APÊNDICES  PAGEREF _Toc110691207 \h 30  HYPERLINK \l "_Toc110691208" REFERÊNCIAS  PAGEREF _Toc110691208 \h 30  HYPERLINK \l "_Toc110691209" GLOSSÁRIO  PAGEREF _Toc110691209 \h 31  HYPERLINK \l "_Toc110691210" ESTRUTURA DE UM TRABALHO (NBR 1474/02)  PAGEREF _Toc110691210 \h 31  HYPERLINK \l "_Toc110691211" Modelo de estrutura de um trabalho completo:  PAGEREF _Toc110691211 \h 31  HYPERLINK \l "_Toc110691212" ASPECTOS GRÁFICOS DE UM TRABALHO CIENTÍFICO: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (ABNT NBR 6023/2002)  PAGEREF _Toc110691212 \h 33  HYPERLINK \l "_Toc110691213" ARTIGO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691213 \h 34  HYPERLINK \l "_Toc110691214" ENSAIO CIENTÍFICO  PAGEREF _Toc110691214 \h 34  HYPERLINK \l "_Toc110691215" PAPERS  PAGEREF _Toc110691215 \h 35  HYPERLINK \l "_Toc110691216" RESENHA  PAGEREF _Toc110691216 \h 35  HYPERLINK \l "_Toc110691217" TIPOS DE RESENHA  PAGEREF _Toc110691217 \h 35  HYPERLINK \l "_Toc110691218" FINALIDADES  PAGEREF _Toc110691218 \h 35  HYPERLINK \l "_Toc110691219" IMPORTÂNCIA DA RESENHA  PAGEREF _Toc110691219 \h 35  HYPERLINK \l "_Toc110691220" ELABORAÇÃO DE RESENHA  PAGEREF _Toc110691220 \h 36  HYPERLINK \l "_Toc110691221" MODELO DE RESENHA  PAGEREF _Toc110691221 \h 37  HYPERLINK \l "_Toc110691222" EXERCÍCIOS  PAGEREF _Toc110691222 \h 39  CAPÍTULO I A CIÊNCIA Medo, Misticismo e Ciência Precisamos voltar à Pré-História para entendermos como surgiu e a evoluiu o pensamento científico. Nossos ancestrais não entendiam os fenômenos da natureza, por isso suas reações eram sempre de medo das forças da natureza e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava outra alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam. Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Já tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas eram explicadas através da troca do humano com o mágico. Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos, os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica. Somos os únicos animais com capacidade de pensar. Esta característica permite que sejamos capazes de refletir sobre o significado de nossas próprias experiências. Assim sendo, somos capazes de novas descobertas e de transmiti-las a nossos descendentes. O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência. A evolução da ciência Entre todos os animais nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar e transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento. Somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e com ele registrar nossas próprias experiências e passar para outros seres humanos. Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana, permitimo-nos também ao pensar e, por conseqüência, a ordenação e a previsão dos fenômenos que nos cerca. Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas áreas de matemática, geometria e na medicina, mas os gregos foram provavelmente os primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com atividade de utilização prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo = amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer amigo do saber) era buscar conhecer o porque e o para que de tudo o que se pudesse pensar. O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referencial para praticamente todas as idéias discutidas na época. Leia o livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco ou veja o filme sobre o livro. A população não participava do saber, já que os documentos para consulta estavam presos nos mosteiros das ordens religiosas. Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre os séculos XV e XVI (anos 1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o prazer de pensar e produzir o conhecimento através das idéias. Neste período as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo. Neste período Michelangelo esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Capela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do grego onde u = não + topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar). No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma característica própria de pensamento, tendendo para um processo que tivesse imediata utilização prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs "a luz da razão sobre as trevas dos dogmas religiosos". O pensador René Descartes mostrou ser a razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase "penso, logo existo". No aspecto político o movimento Iluminista expressou-se pela necessidade do povo escolher seus governantes através de livre escolha da vontade popular. Lembremo-nos de que foi neste período que ocorreu a Revolução Francesa em 1789. O Método Científico surgiu como uma tentativa de organizar o pensamento para se chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se produzir o conhecimento. Este método entendia o conhecimento como resultado de experimentações contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico. Por outro lado, através de seu Discurso sobre o método, René Descartes defendeu o método dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição do conhecimento através da elaboração lógica de hipóteses e a busca de sua confirmação ou negação. A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por alguns historiadores, de "laicização da sociedade". Se a Igreja trazia até o fim da Idade Média a hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamento religioso razão de ser dos estudos científicos. No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma importância fundamental. Parecia que tudo só tinha explicação através da ciência. Como se o que não fosse científico não correspondesse à verdade. Se Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros, foram perseguidos pela Igreja, em função de suas idéias sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como referência de desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas: na sociologia Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o Positivismo, vindo logo após outros pensadores: na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo-Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, e feriu os dogmas sacralizados pela religião, com a Teoria da Hereditariedade da Espécies ou Teoria da Evolução. A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais. Definição de Ciência É o saber produzido através do raciocínio lógico aliado a experimentação prática, caracterizando-se por um conjunto de paradigmas para a observação, identificação, descrição, investigação experimental e explanação teórica de fenômenos. O método científico envolve técnicas exatas, objetivas e sistemáticas, implementadas através de regras fixas para a formação de conceitos, para a condução de observações, para a realização de experimentos e para a validação de hipóteses explicativas. O objetivo básico da atividade científica não é o de descobrir verdades ou ser uma compreensão plena da realidade, mas sim o de fornecer um conhecimento que, ao menos provisoriamente, facilite a interação com o mundo, permitindo previsões confiáveis sobre eventos futuros e indicando mecanismos de controle para que se possa intervir favoravelmente sobre os mesmos. As Vantagens do Método Científico O uso do método científico agrega vantagens específicas ao saber por ele produzido, incluindo: a produção de um conhecimento prático e aplicável, que pode ser usado diretamente para a previsão e/ou controle de fenômenos e ocorrências; o uso de uma expressão objetiva e detalhada não apenas do saber que é produzido, mas também do modo como se chegou até ele, permitindo um conhecimento: amplamente compartilhável e transmissível independente do conteúdo; verificável e passível de quantificação do grau de confiança que se pode ter nele; redução ou minimização dos vários tipos de viés que podem surgir na observação e interpretação dos diversos fenômenos que se pretende estudar; fornecimento de suporte metodológico ao pensamento, permitindo o uso de ferramentas sócio-culturais e tecnológicas que favorecem a transcendência das limitações individuais do pesquisador em suas análises e sínteses. Assim, fazer ciência é um processo complexo, demorado e de difícil execução, porém o seu uso é justificado pelos benefícios que traz em termos de praticidade, transmissibilidade, verificabilidade, solidez e alcance. Tipos de Investigação Científica Classificação Quanto aos Objetivos A pesquisa científica tem por objetivo a produção de hipóteses, modelos, teorias e leis, o que pode ser feito de duas formas: A Análise Exploratória: É a coleta de dados e informações sobre um fenômeno de interesse sem grande teorização sobre o assunto, inspirando ou sugerindo uma hipótese explicativa; A Construção Hipotético-Dedutiva de Conhecimento: É a elaboração de uma ou mais hipóteses que relacione diversos fatos, seguida da coleta de dados e da geração de informações que corroborem ou não tal hipótese ou hipóteses. Classificação Quanto ao Tempo Existem dois tipos distintos de relacionamento com o tempo que podem ser adotados por um estudo científico: Estudo Transversal: O pesquisador coleta os dados de cada caso ou sujeito num único instante no tempo, obtendo um recorte momentâneo do fenômeno investigado; Estudo Longitudinal: O pesquisador coleta os dados de cada caso ou sujeito em dois ou mais momentos, havendo um acompanhamento do desenrolar do fenômeno considerado. CONCEITOS FUNDAMENTAIS A produção do conhecimento científico trabalha com dois conceitos fundamentais: as técnicas e os métodos. Técnicas: referem-se aos procedimentos concretos empregados pelo pesquisador para levantar os dados e as informações necessárias para esclarecer o problema que está pesquisando. O método, portanto, é mais geral do que a técnica. A escolha do método condiciona as técnicas que serão utilizadas no decorrer da pesquisa. O método é como uma via de acesso: indica a direção. Methodos significa uma investigação que segue um modo ou uma maneira planejada e determinada para conhecer alguma coisa; procedimento racional para o conhecimento seguindo um percurso fixado. O Método Científico Existem basicamente 5 métodos científicos 1- Método Indutivo; 2- Método Dedutivo; 3- Método Hipotético-Dedutivo; 4- Método Dialético; 5- Método Fenomenológico MÉTODO INDUTIVO Parte do particular para o geral; Observação do fenômeno; Análise quantitativa do fenômeno; Elaboração de hipóteses; Verificação das hipóteses; Generalização do resultado obtido na experiência. MÉTODO DEDUTIVO Parte do geral para chegar ao particular; Reformula de modo explícito a informação. MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO Toda pesquisa tem sua origem num problema para o qual se procura uma solução; através de tentativas (conjecturas, hipóteses, teorias) e eliminação de erros; Chamado "método de tentativas e eliminação de erros". MÉTODO DIALÉTICO Tudo se relaciona; Tudo se transforma; Tudo é processual; Tudo é contraditório. MÉTODO FENOMENOLÓGICO Utiliza-se da hermenêutica (arte de interpretar as palavras); Usa da descrição do fenômeno. TÉCNICAS DE RACIOCÍNIO Indução: Observação do fenômeno; Análise dos elementos constituintes do fenômeno e estabelecimento das relações quantitativas entre eles; Indução de hipóteses a partir da análise das relações dos elementos; Verificação da veracidade das hipóteses através de sua experimentação; Generalização do resultado obtido na experiência para disso obter uma lei que parta da confirmação das hipóteses. Exemplo de raciocínio indutivo: “eu morrerei. Eu sou homem. Logo, todos os homens morrem.” Dedução: Compõe-se de uma lei ou premissa geral; de um princípio racional que norteia o pensamento e que pode ser formulado assim: "tudo que se afirma de uma proposição geral, afirma-se igualmente das proposições particulares que ele encerra". Exemplo de raciocínio dedutivo: “Todos os homens morrem. Eu sou homem. Logo, eu morrerei.” Análise e Síntese: A análise parte do mais complexo para o menos complexo. A síntese parte do mais simples para o menos simples. Podem ser "experimentais" ou "racionais". Experimentais são aplicáveis aos fatos concretos, materiais ou imateriais. Racionais são aplicáveis a fatos abstratos, como os conceitos, as idéias muito gerais etc... MÉTODO Conjunto de etapas ordenadamente dispostas, a serem vencidas na investigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim. TÉCNICA É o modo de fazer de forma mais hábil, mais segura, mais perfeita algum tipo de atividade, arte ou ofício. O método científico É um instrumento utilizado pela ciência na sondagem da realidade, formado por um conjunto de procedimentos, mediante os quais os problemas científicos são formulados e as hipóteses científicas são examinadas. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO Quando analisamos a diversidade de trabalhos científicos existente, observamos que há várias formas de investigação, que vão desde a simples observação casual até estudos altamente sistematizados que envolvem a experimentação. Isso nos leva a analisar que existem diferentes categorias de investigação. Para que se possa desenvolver um trabalho científico é preciso conhecer essas categorias, definindo o que se entende por cada uma delas, bem como seu nível de abrangência e o tipo de atividade que englobam. Na investigação, a etapa na qual coloca-se em prática ou submete-se à prova os resultados inferidos é a da experimentação, ou seja, uma atividade de investigação que desenvolve o experimento - ensaio científico realizado para verificar uma afirmação ou uma suposição acerca da realidade dos fenômenos. Quando nos referimos ao trabalho científico precisamos considerar que: - A experimentação (realização do experimento) é uma atividade que denominamos investigação. - Nem todas as investigações são experimentos, mas todos os experimentos são investigações. - É importante, portanto, distinguir os experimentos de outros tipos de investigação. Genericamente, podemos dizer que a investigação não experimental se baseia no senso comum. O desenvolvimento da ciência consiste na conversão do senso comum em ciência por meio de procedimentos metodológicos específicos. Trata-se de converter a experiência, no sentido de prática de vida (tentativa), em experimento, para comprovar a veracidade da proposição ou sua probabilidade de ocorrência. O que define uma investigação científica é: - O tipo de problema investigado, ou seja, o objeto. - Como esse problema é investigado - o método. - A experimentação é uma investigação controlada e considerada científica. O processo de pesquisa no campo das ciências humanas e sociais toma por base os procedimentos das ciências fatuais. Analisando os diferentes procedimentos de pesquisa é possível identificar, por analogia e de acordo com os objetivos, onde se encaixa a pesquisa específica que se pretende realizar, de modo a permitir uma adaptação dos procedimentos das ciências fatuais ao contexto das ciências humanas. Quando trabalhamos com pesquisa partimos de uma teoria, de uma idéia que fazemos a respeito dos fatos. Nenhum trabalho de pesquisa inicia-se sem que haja uma teoria que fundamente a ação do pesquisador, mesmo que essa teoria não apareça explicitamente no trabalho. Seguem abaixo alguns elementos básicos de uma teoria: A. Conceito: idéia ou definição que constitui a unidade básica da teoria. B. Definição de conceito: para cada conceito há uma definição. Podemos aprender o significado de um conceito por meio de sua definição. Quando não existe conhecimento anterior que permita definir um determinado conceito, esse passa a ser denominado conceito primitivo, isto é, algo que não é definido, e por isso serve para definir outros conceitos, os denominados conceitos derivados. Assim sendo, os conceitos dividem-se em: primitivos e derivados. C. Axiomas: toda teoria possui um conjunto de afirmações das quais se deduz novas afirmações e que constituem, como já visto anteriormente, postulados ou axiomas. Trata-se de princípios gerais aceitos que formam afirmações que dão origem a outras sem que necessitem de demonstração. D. Hipótese: também são afirmações, mas se diferenciam dos axiomas porque derivam deles. As afirmações que iniciam o cálculo dedutivo são axiomas; as que o terminam são hipóteses. E. Regras de inferência: elas permitem, partindo dos axiomas, chegar às hipóteses. Cada teoria tem um conjunto sistemático de regras de inferência que permite fazer deduções. Genericamente, podemos dizer que axioma e hipótese são relações entre dois ou mais conceitos. O trabalho científico caracteriza-se, portanto, por um conjunto sistemático de procedimentos realizados pelo pesquisador a partir de uma teoria ou de uma idéia acerca da realidade, visando comprovar, por meio de levantamentos de dados (quantitativos, qualitativos), as hipóteses formuladas sobre o comportamento provável dos fenômenos, hipóteses essas que derivam de postulados ou de axiomas. A NATUREZA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO A pesquisa como processo de busca do conhecimento está inserida no referencial teórico—conceitual de todas as ciências, sejam elas físicas e naturais ou humanas e sociais. O que diferencia a pesquisa nas ciências físicas e biológicas da pesquisa das ciências humanas são os instrumentos empregados. Nas ciências humanas, como o homem é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de estudo torna-se necessário o uso de técnicas indiretas de observação. Já nas ciências físicas e biológicas, nas quais o sujeito (pesquisador) apresenta-se separado do objeto (fenômeno observado) existem mais oportunidades de usar o laboratório para experimentações, o que, por questões éticas, não é possível nas ciências humanas. Ressalvadas essas diferenças básicas, podemos afirmar que a pesquisa, em todas as áreas, baseia-se no uso do método científico. FASES DO MÉTODO CIENTÍFICO A. Observação B. Demonstração C. Classificação D. Interpretação MÉTODO DIALÉTICO A dialética é por definição a arte de discutir e, segundo a filosofia antiga, a argumentação dialogada. É evidente que a sua simples definição não explica a importância que lhe atribuem os filósofos nos últimos séculos. Zenão, filósofo grego tido como o pai da dialética, formulava seus argumentos procurando demonstrar as contradições daqueles que defendiam teses contrárias. Defendia a tese da unidade e imobilidade do ser. Os seus argumentos tinham como objetivo, então, mostrar as contradições daqueles que defendiam a pluralidade e mobilidade do ser, ou seja, defendiam as suas idéias a partir da negação dos argumentos contrários. É uma dialética negativa no sentido de não construir uma tese, mas sim de destruir a do oponente. Para tanto, parte das premissas admitida pelos seus adversários, não importando se eram verdadeiras ou falsas. NA ANTIGUIDADE A dialética socrática tinha como objetivo levar o seu adversário a se contradizer, mediante perguntas. Com isso, conseguia levar ao ridículo os sofistas, que se utilizavam da palavra para justificar as mais variadas situações. Com tal comportamento, Sócrates pretendia estabelecer a verdade e, para tanto, exigia definição das palavras usadas pelos seus adversários, motivo pelo qual se pode denominar esse método dialética positiva. Para Aristóteles, a dialética é um método que permite argumentar acerca de qualquer problema proposto, partindo de premissas programáveis, e evitar, quando se sustenta um argumento, dizer seja o que for contrário a ele. Sendo a dialética nesse caso um método secundário sem valor científico, pois parte de premissas prováveis para provar a tese, nada mais é que um silogismo. Para Descartes, a dialética é empregada como sinônimo de lógica, especialmente de lógica formal. As deduções são feitas mecanicamente, pois partindo-se de proposições dadas chegam-se a outras proposições que delas derivam necessariamente. DIALÉTICA HEGELIANA Para Hegel, a dialética é a conciliação dos contrários nas coisas e no espírito. Na dialética hegeliana, encontra-se a afirmação ou a tese, a negação ou a antítese c a negação da negação, a síntese. Como exemplo, a tese que se constituiu na afirmação ‘o ser é’, mas, ser totalmente indeterminado, de tal forma que a afirmação já implica a sua negação ou antítese: "o ser não é". Essa negação será negada e daí a síntese na proposição: "o ser é devir". Essa síntese não é definitiva, pois traz dentro de si a sua negação, que levará a uma nova síntese e assim indefinidamente. Essa dúvida com relação à síntese que impulsiona o pensamento para novas sínteses não é a dúvida sistemática do ceticismo, que isola o momento da negatividade e a esvazia de qualquer conteúdo. Não é a dúvida metódica de Descartes, mas uma dúvida que é a negação de um conteúdo determinado, e dessa forma a consciência progride de conteúdo cm conteúdo. O idealismo em Hegel fica bem caracterizado quando afirma que a contradição está nas próprias coisas que, depois de terem lutado, chegam a um acordo; a dialética do pensamento é apenas um reflexo da dialética das coisas. DIALÉTICA MARXISTA O materialismo de Karl Marx nada mais é que uma oposição ao idealismo e nada tem a ver com a oposição ao espiritualismo. Para Hegel, idealista, a idéia é que comanda todo o processo de desenvolvimento, ou seja, são as idéias que governam o mundo. Para Marx, ao contrário de Hegel, o mundo das idéias é apenas o mundo material transposto e traduzido no espírito humano. Marx acentua a importância das condições econômicas na formação e evolução das idéias filosóficas, morais e religiosas. É o materialismo histórico, que procura explicar a.história a partir da luta de classes. Como os motivos econômicos explicam o avanço das idéias, a existência da contradição na sociedade, da burguesia de um lado e do proletariado de outro, deve ser superado mediante a luta de classes. Para Lênin, a dialética é o estudo das contradições na própria essência das coisas. Considerando que toda verdade é provisória e reformável, é importante que o cientista ou o pesquisador tenha sempre um pensamento dialético, pois o homem avança quando se esforça para superar a si próprio. O CONHECIMENTO Diante da natureza, o homem — animal racional — não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida, O homem, além disso, esforça--se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E á medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades. Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de idéias que hoje denominamos "Ciência". Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação cientifica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua, época. O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade, já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista em nossos dias. Assim, diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período, O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje. Afinal, o que é conhecer? Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma, "engole" o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o em sua mente. O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não. Há duas maneiras de se conhecer um objeto, de nos "apropriarmos" mentalmente dele. Uma é mediante os nossos sentidos, através da nossa sensibilidade física; a outra é mediante o nosso pensamento, através do nosso cérebro. O conhecimento que adquirimos por meio de nossa sensibilidade física diz respeito aos objetos físicos. Por exemplo: conhecemos uma cor porque nossos olhos vêem a cor; conhecemos um som porque nossos ouvidos sentem a vibração que produz o som; conhecemos um gosto porque as terminações nervosas que constituem o nosso paladar distinguem o gosto. Disso podemos concluir que o conhecimento é sensível quando obtido mediante uma informação prestada pelos nossos sentidos (a cor excita os nervos ópticos que informam nossa mente; o som, os nervos auditivos etc.). A outra forma de conhecimento é puramente intelectual. Mesmo sem qualquer informação da visão, audição, olfato, paladar ou tato, podemos conhecer uma idéia, um principio, uma lei. E claro que se você assiste a uma conferência, seus nervos auditivos entram em ação. Eles são atingidos pela voz do conferencista, mas você fica conhecendo as idéias expostas mediante um processo intelectual. A voz do conferencista é apenas um veículo. Ela só interessa na medida em que transporta o conteúdo da conferência. O conhecimento desse conteúdo — ou seja, a "apropriação" das idéias — é intelectual. Nem sempre essas duas formas de conhecimento — sensível e intelectual — ocorrem isoladamente. Ao contrário, com freqüência combinam-se para produzir conhecimento misto, ao mesmo tempo sensível e intelectual. Você pode, por exemplo, conhecer-se. Seus sentidos lhe informarão sobre a cor de sua pele, sobre seu cheiro, sua estatura, enfim, sobre suas características físicas. Mas será a mente que lhe informará sobre seus próprios pensamentos, sobre sua maneira de agir ante determinado problema, sobre o tipo de entretenimento que você prefere etc. E todas essas informações estão relacionadas a um mesmo objeto: você. O conhecimento leva o homem a apropriar-se da realidade e, ao mesmo tempo, a penetrar nela. Essa posse confere-nos a grande vantagem de nos tornar mais aptos para a ação consciente. A ignorância tolhe as possibilidades de avanço para melhor, mantém-nos prisioneiros das circunstâncias. O conhecimento liberta: permite que atuemos para modificar as circunstâncias em nosso beneficio. Quando pensamos em termos de toda a humanidade, reconhecemos que só podemos avançar mediante o conhecimento da realidade. Mas a realidade não se deixa desvendar facilmente. Ela é constituída de numerosos níveis e estruturas. De um mesmo objeto — como, por exemplo, um elemento químico, uma vibração luminosa ou um conceito — podemos obter conhecimentos da realidade em níveis distintos. Esses conhecimentos nos informarão sobre o objeto, nos apresentarão sua origem, sua aparência, sua função, seu significado, sua relação com outros objetos e assim por diante. De um mesmo objeto, portanto, podemos obter conhecimento horizontal, mais superficial, e conhecimento vertical, mais profundo, ou seja, desde sua aparência mais simples até as implicações de seu relacionamento com outras estruturas da própria realidade. Em outras palavras, a realidade é tão complexa que o homem, para apropriar-se dela, teve de aceitar diferentes tipos de conhecimento. Há pelo menos quatro tipos fundamentais de conhecimento, cada um deles subordinado ao tipo de apropriação que o homem faz da realidade. Esses quatro tipos são: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico, o conhecimento filosófico e o conhecimento teológico. Vamos examiná-los mais de perto TIPOS DE CONHECIMENTO. CONHECIMENTO VULGAR É o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação metódica nem verificação sistemática, por isso carece de caráter científico. Pode também resultar de simples transmissão de geração para geração e, assim, fazer parte das tradições de uma coletividade. Não é necessário estudar Psicologia para se saber que uma pessoa está alegre ou está triste. Você conhece o estado de humor dessa pessoa porque empiricamente já passou por muitas experiências de contato com pessoas alegres ou tristes. E igualmente vulgar o conhecimento que, em geral, o lavrador iletrado tem das coisas do campo. Ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos anunciadores de chuva, o comportamento dos animais. Sabe onde furar um poço para obter água, quando cortar uma árvore para melhor aproveitar sua madeira e se a colheita deve ser feita nesta ou naquela lua. Ele pode, inclusive, apresentar argumentos lógicos para explicar os fatos que conhece, mas seu conhecimento não penetra os fenômenos, permanece na ordem aparente da realidade. Como é fruto da experiência circunstancial, não vai além do fato em si, do fenômeno isolado. Embora de nível inferior ao científico, o conhecimento vulgar não deve ser menosprezado. Ele constitui a base do saber e já existia muito antes do homem imaginar a possibilidade da Ciência. CONHECIMENTO CIENTÍFICO O conhecimento científico resulta de investigação metódica, sistemática da realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem. Como o objeto da Ciência é o universo material, físico, naturalmente perceptível pelos órgãos dos sentidos ou mediante a ajuda de instrumentos de investigação, o conhecimento científico é verificável na prática, por demonstração ou experimentação. Além disso, tendo o firme propósito de desvendar os segredos da realidade, ele os explica e demonstra com clareza e precisão, descobre suas relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outros fatos ou fenômenos. De tudo isso conclui leis gerais, universalmente válidas para todos os casos da mesma espécie. CONHECIMENTO FILOSÓFICO O conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do homem e por instrumento exclusivo o raciocínio. Como a Ciência não é suficiente para explicar o sentido geral do universo, o homem tenta essa explicação através da Filosofia. Filosofando, ele ultrapassa os limites da Ciência — delimitados pela necessidade de comprovação concreta — para compreender ou interpretar a realidade em sua totalidade. Mediante a Filosofia estabelecemos uma concepção geral do mundo. Tendo o homem como tema permanente de suas considerações, o filosofar pressupõe a existência de um dado determinado sobre o qual refletir, por isso apóia-se nas ciências. Mas sua aspiração ultrapassa o dado científico, já que a essência do conhecimento filosófico é a busca do "saber" e não sua posse. Tratando de compreender a realidade dos problemas mais gerais do homem e sua presença no universo, a Filosofia interroga o próprio saber e transforma-o em problema. E, sobretudo, especulativa, no sentido de que suas conclusões carecem de prova material da realidade. Mas, embora a concepção filosófica não ofereça soluções definitivas para numerosas questões formuladas pela mente, ela se traduz em ideologia. E como tal influi diretamente na vida concreta do ser humano, orientando sua atividade prática e intelectual. CONHECIMENTO TEOLÓGICO O conhecimento teológico é produto da fé humana na existência de uma ou mais entidades divinas — um deus ou muitos deuses. Ele provém das revelações do mistério, do oculto, por algo que é interpretado como mensagem ou manifestação divina. Tais revelações são transmitidas por alguém, por tradição acumulada ao longo da história ou através de escritos sagrados. Não é necessário que se seja monoteísta (acredite-se em um só deus) para que o conhecimento proporcionado pela fé seja teológico. Os gregos da Antiguidade eram politeístas (acreditavam na existência de muitos deuses), mas os seus sacerdotes já possuíam e cultivavam o conhecimento teológico. Atualmente, os sacerdotes de diferentes religiões ocidentais e orientais conhecem distintas entidades divinas e seus atributos, bem como suas relações com o universo e o homem em particular, portanto possuem conhecimento teológico. De modo geral, o conhecimento teológico apresenta respostas para questões que o homem não pode responder com os conhecimentos vulgar, científico ou filosófico. Assim, as revelações feitas pelos deuses ou em seu nome são consideradas satisfatórias e aceitas como expressões de verdade. Tal aceitação, porém, racional ou não, tem necessariamente de resultar da fé que o aceitante deposita na existência de uma divindade. CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA A ciência contemporânea, cujas bases teórico-metodológicas foram iniciadas por Galileu, não comporta idéias absolutas; pelo contrário, retoma os conceitos aristotélicos de relatividade da qualidade e apresenta as seguintes características: A. É um método de abordagem: na explicação, na predição, na classificação e na interpretação. B. É um processo cumulativo, não um produto acabado do conhecimento. C. Abrange conhecimentos em processamento, mesmo que esses ainda não estejam sistematizados. D. É um corpo de verdades provisórias, em que a idéia de probabilidade substitui a noção de certeza absoluta, possibilitando e incentivando revisões constantes e novas descobertas. Os indivíduos, no decorrer da vida, fazem observações e generalizações a partir de suas experiências pessoais. A diferença entre essas observações ao acaso e o conhecimento científico é que o uso do método científico confere um grau maior de rigor às observações, possibilita a comprovação, garante maior validade e precisão ao conhecimento adquirido. A construção do conhecimento, portanto, ocorre em diversos níveis, que diferem quanto ao grau de sistematização e de precisão. O PAPEL DA METODOLOGIA CIENTÍFICA O papel da metodologia científica passa pela distinção de três aspectos relevantes, que se referem ao conhecimento científico produzido, às atividades responsáveis por sua produção e ao uso ou às aplicações do conhecimento produzido. Ou seja, é preciso: Distinguir o produto (conhecimento científico) do trabalho científico. Distinguir a atividade que gera este produto. Distinguir quais são as aplicações do produto dessa atividade, isto é, as aplicações da ciência. Percebe-se que existe na sociedade uma espécie de crença mágica na ciência que tem origem nos resultados obtidos com a aplicação dada aos conhecimentos científicos produzidos. Neste trabalho estamos interessados na produção, não na aplicação da ciência, embora essa seja uma questão de grande importância para toda a sociedade. Do ponto de vista da metodologia, a aplicação dada aos resultados obtidos é irrelevante; na realidade, a aplicação da ciência é um subproduto que não interessa à metodologia. O papel da metodologia, portanto, concentra-se na distinção do conhecimento científico das demais formas de conhecimento e, principalmente, na atividade que gera o conhecimento científico. É a partir da perspectiva da atividade que pretendemos trabalhar aqui a questão do conhecimento científico, ou seja, o produto. São as ações desenvolvidas, especificamente as que se referem à ordenação e à precisão da atividade científica, que serão responsáveis por um produto (conhecimento) sistemático e coerente. OBJETIVOS DA CIÊNCIA O primeiro objetivo da ciência é a busca da coerência, isto é, produzir um conjunto de afirmações sobre um objetivo que sejam mutuamente compatíveis. O segundo objetivo da ciência é a correspondência entre a afirmação e os fatos. O terceiro objetivo da ciência é a compatibilidade com o conhecimento anterior. Existem também outras formas de conhecimento que buscam a coerência, como, por exemplo, o conhecimento religioso, mágico etc. Porém somente o conhecimento científico precisa ser empiricamente verdadeiro, ou seja, o conhecimento científico deverá, necessariamente, partir do aspecto perceptível, sensível e classificável dos fenômenos. Mesmo quando o cientista trabalha com conceitos abstratos é preciso estudá-los de forma empírica, identificando estímulos ou características representativas de tais conceitos. Outro aspecto a ser considerado quanto à cientificidade do conhecimento é sua integração com o padrão de conhecimento anteriormente existente. Nesse sentido, a ciência é conservadora: apenas os conhecimentos produzidos de maneira articulada com as teorias existentes são considerados científicos. Um conhecimento empiricamente verdadeiro, mas isolado, não é ciência. Só existe conhecimento científico quando esse está inserido em uma teoria. Sempre que um novo evento aparece, o cientista desenvolve um esforço de reflexão para explicá-lo dentro das teorias existentes. O primeiro momento da interpretação é a tentativa de deduzir explicações que esclareçam os fatos observados. À medida que os fatos resistem às explicações e que novas teorias surgem. Para entendermos a atividade de produção de conhecimento é preciso ter consciência do modo como esse conhecimento científico organiza-se (coerência). A metodologia científica é uma análise da atividade do cientista e dos problemas que essa atividade possui. OBJETIVOS DA ATIVIDADE CIENTÍFICA A atividade científica visa à produção de conhecimentos dentro de parâmetros determinados, atendo-se a certas particularidades para ser reconhecida como científica. Para ser reconhecida, a atividade científica deve apresentar duas características fundamentais: 1. O conhecimento precisa ser sistemático, isto é, o conjunto de afirmações deve ser articulado, sem contradições internas e sem incompatibilidade entre as afirmações. Quando aparecem contradições no interior da ciência ela tende a se movimentar. 2. O conhecimento produzido precisa ser adequado para que as afirmações correspondam aos fatos. A partir das considerações acima é que poderemos desenvolver o sentido do conceito de Metodologia: É o estudo analítico e crítico dos métodos de investigação e de prova. A metodologia não é, senão, uma reflexão sobre a atividade científica que está sendo desenvolvida para obter, em determinado momento, um retrato dessa atividade - retrato esse que diferirá de acordo com a ciência sobre a qual estamos refletindo. CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA DO PONTO DE VISTA DA INVESTIGAÇÃO A. Não empíricas: são as que comprovam suas proposições sem recorrer à experiência. Exemplo: Lógica, Matemática. B. Empíricas: exploram, descrevem, explicam e formulam predições sobre os acontecimentos do mundo que nos rodeia. Suas proposições devem ser confrontadas com os fatos e só têm validade se verificadas experimentalmente. Por sua vez, as ciências empíricas são classificadas em: Ciências naturais: Física, Química, Biologia etc. Ciências sociais: Sociologia, Economia, Administração, etc. CONHECIMENTO INTUITIVO O ser humano toma conhecimento do mundo exterior de diversas maneiras. Primeiramente, utilizando os órgãos e sentidos que transmitem ao cérebro a existência dos objetos por algumas de suas qualidades. A percepção de um objeto ocorre a partir das sensações causadas pelas qualidades dos objetos. É o experimentar, o sentir, que caracteriza a sensação e a difere de outros fenômenos materiais, sendo imediata e exclusivamente um fato de consciência. A percepção imediata, ou seja, aquela percepção cujo objeto passa para a mente sem a necessidade do conhecimento prévio, também chamada de conhecimento imediato, é o conhecimento intuitivo, cuja origem está na experimentação e no sentir mediante as sensações transmitidas pelos órgãos dos sentidos. Além dessa experiência externa, existe uma outra experiência interna, denominada reflexão. Enquanto a experiência externa utiliza-se dos órgãos dos sentidos para a apreensão do objeto, a experiência interna limita-se a unir e comparar os diferentes dados da experiência externa. Pelos órgãos dos sentidos, o sujeito distingue a cor roxa e a cor verde, mediante uma experiência externa utilizando o órgão da visão, e com a experiência interna ele pode afirmar que o roxo é diferente do verde. CONHECIMENTO RACIONAL Opondo-se à experiência como fonte do conhecimento, existe o chamado racionalismo (de razão), que só admite o conhecimento racional, afirmando que a razão é a verdadeira fonte do conhecimento. Admite a existência de um conhecimento a priori, independente da experiência. Descartes, o pai da filosofia moderna, defendia a existência das idéias inatas, ou seja, os conceitos fundamentais do conhecimento. O conhecimento matemático é um exemplo desse racionalismo, porque trata de um conhecimento conceitual e dedutivo. CONHECIMENTO INTELECTUAL Superando esse antagonismo entre razão e experiência, surge o intelectualismo (inteiligere, intus + legere = ler no interior), admitindo ambos como fonte de conhecimento, ou seja, a razão e a experiência na produção do conhecimento. Enquanto para o racionalismo os conceitos são inatos e para o empirismo estes são adquiridos mediante experiências, o intelectualismo os deriva da experiência, ou seja, a consciência cognoscitiva retira os conceitos fundamentais da experiência, tendo como axioma fundamental a frase: "nada existe na mente que não tenha passado pelo sensível". CONHECIMENTO CIENTÍFICO Segundo Kant, existem conhecimentos de natureza formal, apriori, recebendo estes o conteúdo dado pela experiência. Esse conhecimento formal que obtém na experiência o seu conteúdo é o conhecimento científico. A universalmente aceita a idéia de que o conhecimento humano não se limita ao mundo fenomênico, mas avança até a esfera metafísica, na busca de uma visão filosófica do universo. A fé religiosa também dá a sua interpretação do universo e da sua existência. A discussão principal é como se relacionam a religião e a filosofia, a fé e o saber. Alguns admitem uma identidade entre religião e filosofia, ou seja, não há diferença entre uma e outra: a religião é filosofia e a filosofia é religião. Para Platão, os sentidos não conduzem nunca ao verdadeiro saber. Descartes e seu seguidor Leibniz admitiam a existência de certo número de conceitos inatos que são os fundamentos do conhecimento. Para Kant, os conceitos sem as intuições são vazios, e as intuições sem os conceitos são cegos. Verifica-se que a busca de explicações relativa à evolução da mente humana passou da introspecção na Antiguidade para uma busca objetiva materialista. Sócrates, considerado o pai da filosofia ocidental, encarna a atitude teórica do espírito grego. Essa atitude teórica se concentra na reflexão sobre o saber; com a afirmação "conhece-te a ti mesmo", procura fazer com que os indivíduos percebam que toda atitude consciente é um saber. Ele faz a distinção de duas ordens de conhecimento, o sensível, que para ele não é objeto da ciência, e o intelectual, que é o inteligível, o conceito que se exprime pela definição. Em oposição às conclusões sofistas, que afirmavam a impossibilidade absoluta e objetiva do saber, Sócrates define que o objeto da ciência é o inteligível, isto é, a reflexão. Platão, discípulo de Sócrates, estende-se a outros valores que não somente os objetos práticos, os valores e as virtudes, mas também o conhecimento científico relativo às outras atividades, tais como as do estadista, do filósofo, do poeta, que possuem conhecimento prático. A relação entre o conceito e a realidade é a base da sua filosofia. A ciência é objetiva, o conhecimento certo deve corresponder uma realidade. Isso significa que, além do mundo fenomênico, das aparências, existe um outro mundo de realidades objetivamente dotadas dos mesmos atributos dos conceitos que as representam. A NEUTRALIDADE CIENTÍFICA É sabido que, para se fazer uma análise desapaixonada de qualquer tema, é necessário que o pesquisador mantenha uma certa distância emocional do assunto abordado. Mas será isso possível? Seria possível um padre, ao analisar a evolução histórica da Igreja, manter-se afastado de sua própria história de vida? Ou ao contrário, um pesquisador ateu abordar um tema religioso sem um conseqüente envolvimento ideológico nos caminhos de sua pesquisa? Provavelmente a resposta seria não. Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados da pesquisa não sofram interferências além das esperadas. É preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua formação moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa não sejam influenciados por eles além do aceitável. CAPÍTULO II A PREPARAÇÃO DA PESQUISA Estes são os passos do preparo de um projeto de pesquisa. 1. Escolha do Tema 2. Revisão de Literatura 3. Justificativa 4. Formulação do Problema de Pesquisa 5. Formulação das Hipóteses (se exigida) 6. Delimitação do Tema 7. Indicação dos Objetivos 8. Metodologia (caracterização do locus da pesquisa, universo, amostra/sujeitos, instrumentos de coleta dos dados, etc) A PESQUISA Pesquisa é o mesmo que busca ou procura. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. Em se tratando de Ciência a pesquisa é a busca de solução a um problema que o alguém queira saber a resposta. Não se faz ciência, e sim se produz ciência através de uma pesquisa. Pesquisa é, portanto, o caminho para se chegar à ciência, ao conhecimento. É na pesquisa que utilizaremos diferentes instrumentos para se chegar a uma resposta mais precisa. O instrumento ideal deverá ser estipulado pelo pesquisador para se atingir os resultados ideais. Num exemplo grosseiro não se poderia procurar um tesouro numa praia cavando um buraco com uma picareta; precisar-se-ia de uma pá. Da mesma forma não se poderia fazer um buraco no cimento com uma pá; precisar-se-ia de uma picareta. Por isso a importância de se definir o tipo de pesquisa e da escolha do instrumental ideal a ser utilizado. ESCOLHA DO TEMA DO PROJETO DE PESQUISA Existem dois fatores principais que interferem na escolha de um tema para o trabalho de pesquisa. Abaixo estão relacionadas algumas questões que devem ser levadas em consideração nesta escolha: Fatores internos - Afetividade em relação a um tema ou alto grau de interesse pessoal. Para se trabalhar uma pesquisa é preciso ter um mínimo de prazer nesta atividade. A escolha do tema está vinculada, portanto, ao gosto pelo assunto a ser trabalhado. Trabalhar um assunto que não seja do seu agrado tornará a pesquisa num exercício de tortura e sofrimento. - Tempo pessoal disponível para a realização do trabalho de pesquisa. Na escolha do tema temos que levar em consideração a quantidade de atividades que teremos que cumprir para executar o trabalho e medi-la com o tempo dos trabalhos que temos que cumprir no nosso cotidiano, não relacionado à pesquisa. - O limite das capacidades do pesquisador em relação ao tema pretendido. É preciso que o pesquisador tenha consciência de sua limitação de conhecimentos para não entrar num assunto fora de sua área. Se minha área é a de ciências humanas, devo me ater aos temas relacionados a esta área. Fatores Externos - A significação do tema escolhido, sua novidade, sua oportunidade e seus valores acadêmicos e sociais. Na escolha do tema devemos tomar cuidado para não executarmos um trabalho que não interessará a ninguém. Se o trabalho merece ser feito que ele tenha uma importância qualquer para pessoas, grupos de pessoas ou para a sociedade em geral. - O limite de tempo institucional disponível para a conclusão do trabalho. Quando a instituição determina um prazo para a entrega do relatório final da pesquisa, não podemos nos enveredar por assuntos que não nos permitirão cumprir este prazo. O tema escolhido deve estar delimitado dentro do tempo possível para a conclusão do trabalho. - Material de consulta e dados necessários ao pesquisador Um outro problema na escolha do tema é a disponibilidade de material para consulta. Muitas vezes o tema escolhido é pouco trabalhado por outros autores e não existem fontes secundárias para consulta. A falta dessas fontes obriga ao pesquisador buscar fontes primárias que necessita de um tempo maior para a realização do trabalho. Este problema não impede a realização da pesquisa, mas deve ser levado em consideração para que o tempo institucional não seja ultrapassado. TÉCNICAS DE PESQUISA Pesquisa Experimental: São investigações de pesquisa empírica que têm como principal finalidade testar hipóteses que dizem respeito a relações de causa e efeito. Envolvem: grupos de controle, seleção aleatória e manipulação de variáveis independentes. Empregam rigorosas técnicas de amostragem para aumentar a possibilidade de generalização das descobertas realizadas com a experiência. Assim, podemos discriminar com relação à pesquisa experimental: A. Objetivo: verificar hipóteses de pesquisa à procura de generalizações empíricas. B. Procedimento: manipulação experimental de uma ou mais variáveis independentes. C. Características: uso de grupos de controle e emprego de seleção aleatória, dentro de critérios estatísticos, para assegurar que os grupos experimentais e de controle possam ser considerados equivalentes. D. Tipos: a pesquisa experimental pode ser realizada no laboratório e no campo: A Pesquisa de laboratório: utilizada para testar hipóteses relacionadas a teorias. A Pesquisa de campo: empregada em estudos que visam avaliar ações ou interferências realizadas no âmbito social. É o caso, por exemplo, de estudos que procuram avaliar a eficácia de programas ou de técnicas adotadas para auxiliar indivíduos ou instituições. No experimento controlado, nas ciências humanas e sociais, separam-se dois grupos semelhantes (potencialmente iguais) para comparação final dos resultados, denominados: - Grupo de controle: no qual não se realiza intervenção. - Grupo experimental: no qual a intervenção é realizada. Pesquisa Documental: é realizada a partir de fontes primárias, como documentos escritos ou não (arquivos públicos ou particulares e fontes estatísticas). Pesquisa Bibliográfica: é realizada a partir de fontes secundárias, livros, boletins, jornais, teses, dissertações, monografias, outros (leitura, elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas). Pesquisa Exploratória: são investigações de pesquisa empírica que têm por finalidade formular um problema ou esclarecer questões para desenvolver hipóteses. O estudo exploratório aumenta a familiaridade do pesquisador com o fenômeno ou com o ambiente que pretende investigar, servindo de base para uma pesquisa futura mais precisa. São também utilizados para esclarecer ou modificar conceitos. As descrições, nesse caso, tanto podem ser qualitativas quanto quantitativas. Os métodos de coleta de dados também podem variar da pesquisa bibliográfica e documental ao uso de questionário, entrevista ou observação. Esses estudos não necessitam de amostragem e utilizam de modo bastante freqüente os procedimentos da observação participante e a análise de conteúdo. Podemos discriminar com relação à pesquisa exploratória: A. Finalidade: refinar conceitos, enunciar questões e hipóteses para investigações subseqüentes. B. Procedimento: pode utilizar tanto métodos quantitativos quanto qualitativos, como: A Revisão da literatura: pesquisa bibliográfica e documental para elaboração de resenha da ciência social afim, assim como de outras partes pertinentes da literatura que tenham relação com o objeto que se pretende estudar. Os três tipos de pesquisa existentes - experimental, descritiva e exploratória - não são exclusivos. Embora tenha sido efetuada, em termos didáticos, uma divisão, a fim de dar uma idéia geral dos procedimentos que ocorrem com certa regularidade na prática, as pesquisas podem utilizar-se de todos os tipos para esclarecer a questão que está sendo investigada. O que define a adoção dos procedimentos adequados são os objetivos e a finalidade da pesquisa. O pesquisador precisa conhecer todas as técnicas para utilizar o critério adequado na escolha do método. Quando trabalhamos com pesquisa partimos de uma teoria, de uma idéia que fazemos a respeito dos fatos. Nenhum trabalho de pesquisa inicia-se sem que haja uma teoria que fundamente a ação do pesquisado e mesmo que essa teoria não apareça explicitamente no trabalho. Seguem abaixo alguns elementos básicos de uma teoria: A. Conceito: idéia ou definição que constitui a unidade básica da teoria. B. Definição de conceito: para cada conceito há uma definição. Podemos aprender o significado de um conceito por meio de sua definição. Quando não existe conhecimento anterior que permita definir um determinado conceito, esse passa a ser denominado conceito primitivo, isto é, algo que não é definido, e por isso serve para definir outros conceitos, os denominados conceitos derivados. Assim sendo, os conceitos dividem-se em: primitivos e derivados. C. Axiomas: toda teoria possui um conjunto de afirmações das quais se deduz novas afirmações e que constituem, como já visto anteriormente, postulados ou axiomas. Trata-se de princípios gerais aceitos que formam afirmações que dão origem a outras sem que necessitem de demonstração. D. Hipótese: também são afirmações, mas se diferenciam dos axiomas porque derivam deles. As afirmações que iniciam o cálculo dedutivo são axiomas; as que o terminam são hipóteses. E. Regras de inferência: elas permitem, partindo dos axiomas, chegar às hipóteses. Cada teoria tem um conjunto sistemático de regras de inferência que permite fazer deduções. O trabalho científico caracteriza-se, portanto, por um conjunto sistemático de procedimentos realizados pelo pesquisador a partir de uma teoria ou de uma idéia acerca da realidade, visando comprovar, por meio de levantamentos de dados (quantitativos, qualitativos), as hipóteses formuladas sobre o comportamento provável dos fenômenos, hipóteses essas que derivam de postulados ou de axiomas. A pesquisa exploratória permite ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema, familiarizar-se com o fenômeno ou conseguir nova compreensão deste, para poder formular problemas mais precisos de pesquisa ou elaborar novas hipóteses; muitos estudos exploratórios têm como objetivo a formulação de um problema para investigação mais exata ou para a formulação de hipóteses. Os estudos exploratórios podem ter outras funções: aumentar o conhecimento do pesquisador acerca do fenômeno que deseja investigar em estudo posterior; o esclarecimento de conceitos; o estabelecimento de prioridades para futuras pesquisas; a obtenção de informação sobre possibilidade práticas de realização de pesquisas em situações de vida real; apresentação de um recenseamento de problemas considerados urgentes. Na prática, as diferenças entre os diversos tipos de estudos (exploratórios, descritivos, experimentais) nem sempre são nitidamente separáveis. Qualquer pesquisa poder conter elementos de duas ou mais funções descritas como características de diferentes tipos de estudo. Sabendo-se que as ciências sociais estão em formação face ao seu pouco tempo de exercício, a pesquisa exploratória é necessária para a obtenção de experiência que auxilie na formulação de hipóteses significativas para pesquisa mais definitiva. No caso de problemas em que o conhecimento é muito reduzido, geralmente o estudo exploratório é mais recomendado. Às vezes, existe uma tendência para subestimar a importância de pesquisa exploratória e considerar como “cientifico”, apenas o trabalho experimental. Pois na prática, a parte mais difícil de uma pesquisa é o seu inicio. Qualquer que seja a razão para a realização de um estudo, a capacidade criadora e a “sorte” desempenharão importante papel. Algumas sugestões para o uso dos estudos exploratórios: efetuar uma resenha pertinente da literatura, uma análise de exemplos que estimulem a compreensão (estudos de caso); um levantamento de pessoas que tiveram experiência prática com o problema a ser estudado. Qualquer que seja o método escolhido, deve ser usado de maneira flexível. À medida que o problema inicialmente definido de maneira vaga se transforma em problema com sentido mais precisamente definido, são necessárias freqüentes mudanças no processo de pesquisa, a fim de permitir a obtenção de dados significativos para as hipóteses emergentes. O estudo exploratório finalmente permite que o pesquisador possa encontrar os elementos necessários que lhe permitam, em contato com determinada população, obter os resultados que deseja. Exige o rigor cientifico, a exemplo da revisão bibliográfica e do processo de coleta de dados. Estudos Descritivos: Uma grande quantidade de pesquisa social se volta para a descrição de características de comunidades (idade, raça, nacionalidade, educação, dentre outros). Os estudos descritivos pretendem descrever com exatidão, os fatos e fenômenos de determinada realidade. Um tipo comum de estudo descritivo, é a análise documental. Este estudo fornece ao pesquisador uma grande quantidade de informação (jornais, livros, arquivos, etc). Estes estudos não envolvem a formulação de hipóteses As questões de pesquisa pressupõem conhecimentos anteriores do problema a ser pesquisado Ao contrário do caso dos estudos exploratórios. Nos estudos descritivos, o pesquisador precisa ser capaz de definir claramente o que deseja medir, de encontrar métodos adequados para essa mensuração, a definição clara de determinada população. Os estudos descritivos podem utilizar os vários métodos de coletas de dados, a exemplo das entrevistas, questionários e observação participante. Em virtude da grande quantidade de dados coletados em estudos descritivos, o plano de pesquisa deve ser cuidadosamente elaborado. Etapas dos Estudos Descritivos 1. Definir claramente a pergunta a ser respondida (Exemplo: Será que as escolas do DF têm discriminação contra alunos negros?). É importante, definir o que se entende por discriminação. 2. Métodos para a coleta de dados (questionários, observação, entrevista, etc): A etapa de coletas de dados é um dos pontos principais em que se introduzem medidas para impedir viés e imprecisões. 3. Pré-teste: este define as dificuldades das técnicas a serem empregadas, a fim de ter a certeza de que permitirão a informação necessária. 4. A Amostra: Em muitos estudos descritivos, o pesquisador deseja ser capaz de fazer afirmações a respeito de certo grupo definido de pessoas ou objetos, assim e mais freqüente que seja suficiente uma amostra da população a ser estudada. A amostra deve ser selecionada de forma que os resultados nela baseados tendam a corresponder estreitamente aos que seriam obtidos se a população fosse estudada. O objetivo da pesquisa determina a unidade adequada de amostragem. 5. Coleta dos Dados: No processo de coleta de dados é necessário supervisionar estritamente a equipe dos que trabalham no campo, quando coligem e registram informações. É preciso estabelecer controles, afim de que os dados estejam completos, compreensíveis, coerentes e precisos. 6. Análise dos Resultados: o processo de análise inclui codificação das respostas de entrevistas, observações, tabulação dos dados, cálculos estatísticos. Com exceção dos estudos exploratórios é sempre possível estabelecer antecipadamente os esquemas básicos de análise dos dados. ENFOQUES DE PESQUISA: O BINÔMIO QUANTITATIVO/QUALITATIVO PESQUISA QUANTITATIVA São investigações de pesquisa empírica cuja finalidade é delinear ou analisar fenômenos, avaliar programas ou isolar variáveis-chave. Descrevem as situações utilizando critérios quantitativos que estabelecem proporções e correlações entre as variáveis observadas, procurando elementos que permitam a comprovação das hipóteses. Utilizam como técnica de coleta de dados entrevistas pessoais, questionários e procedimentos de amostragem. Podemos discriminar com relação à pesquisa quantitativa descritiva: A. Objetivo: verificar hipóteses por métodos quantitativos de medição. As técnicas utilizadas são semelhantes aos estudos experimentais quanto à quantificação; o objetivo, entretanto, é descritivo e não comparativo. B. Procedimento: as descrições quantitativas são obtidas pela medição que intenciona descrever relações entre variáveis. O procedimento utilizado é o estabelecimento de correlações, proporções etc. A pesquisa quantitativa é metrificante. Ela busca estabelecer relações de causa-efeito entre as varáveis de tal modo que as perguntas “Quanto?”, “Em que proporção?”, “Em que medida?”, sejam respondidas com razoável rigor. Em suma, enquanto a pesquisa qualitativa pergunta “quê?”, a pesquisa quantitativa pergunta “quanto?”. Além disso, a pesquisa quantitativa pressupõe a utilização do Método Estatístico. PESQUISA QUALITATIVA A Pesquisa Qualitativa tem os seguintes objetivos: 1)Descrever uma situação, um fenômeno ou um grupo de itens (pessoas ou coisas); 2)Gerar hipóteses de trabalho cuja verificação depende, no âmbito da pesquisa qualitativa, de tratamento específico ou, no âmbito da pesquisa quantitativa, de indicadores preliminares para estudos posteriores de caráter mais aprofundado; 3)Contribuir para a geração de teorias a respeito da questão sob exame. A pesquisa qualitativa é globalizante, holística. Procura captar a situação ou o fenômeno em toda a sua extensão. Em lugar de identificar a priori algumas variáveis de interesse, trata de levantar todas as possíveis variáveis existentes, numa tentativa de enxergar, na sua interação, o verdadeiro significado da questão sob exame. O PROBLEMA DE PESQUISA É ele que vai direcionar toda a pesquisa. Toda investigação nasce de um problema teórico ou prático, e dirá o que é relevante ou irrelevante observar, os dados que devem ser selecionados. A partir desta seleção, se definirá uma questão que servirá de guia ao pesquisador, um problema e uma sentença interrogativa. Um problema científico deve conter duas ou mais variáveis (Exemplo: Os comentários do professor provocariam um desenvolvimento dos alunos? Variável 1= comentários do professor e Variável 2= desempenho dos alunos) Formulação do problema: colocação de uma questão, com probabilidade de ser solucionada e de apresentar-se frutífera, com o auxilio do conhecimento disponível. 1) Critérios para Formulação de Problemas 1 - o problema deve expressar uma relação entre duas ou mais variáveis (A está relacionado com B?) 2 - o problema deve ser formulado claramente e de maneira não ambígua na forma interrogativa. 3 - o problema deve ser formulado de tal forma que permita o seu teste empírico (Problema que não é possível testar: “Quantos camelos pode entrar no fundo de uma agulha?”) A FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES CIENTÍFICAS Após a formulação do problema de pesquisa, o passo seguinte é a construção das hipóteses, caso a configuração da pesquisa as exiga. Conceito de hipóteses: É como o pesquisador acha que o mundo é. Ou seja, é um enunciado conjetural da relação entre duas ou mais variáveis. Uma hipótese científica é uma proposição do pesquisador sobre as possíveis causas ou variáveis determinantes de um problema. As hipóteses estão sempre na forma de sentenças declarativas e relacionam, tanto de maneira geral como específica, variáveis a variáveis. O confronto de uma realidade (problema observado) com uma teoria científica de pleno conhecimento do pesquisador é essencial à formulação de uma hipótese. Critérios para a formulação de hipóteses: Hipóteses são formulações sobre relações entre variáveis, conduzem a implicações claras para o teste da relação formulada. Logo a formulação de hipóteses contém duas ou mais variáveis que são mensuráveis e que as variáveis estão relacionadas. Exemplos de Hipóteses 1 O estudo em grupo contribui para um alto grau de desempenho acadêmico. (Variável 1= estudo em grupo e Variável 2 = grau de desempenho. 2 O exercício de urna função mental não tem efeito no aprendizado futuro dessa função mental (Variável l = exercício de uma função mental e Variável 2 = aprendizado futuro), observa-se a dificuldade de definir as variáveis de tal forma que possam ser mensuráveis. As hipóteses são instrumentos importantes para a pesquisa científica pois elas são: - os instrumentos de trabalho da teoria (elas podem ser deduzidas da teoria e de outras hipóteses), - as hipóteses podem ser testadas e julgadas como provavelmente falsas ou verdadeiras (fatos isolados não são testados, somente relações são testadas) Hipóteses são predições da forma “se A então B”, a qual é construída para testar a relação entre A e B. - hipóteses são instrumentos poderosos para o avanço do conhecimento, elas são formuladas, testadas e demonstradas como sendo corretas ou incorretas separadamente dos valores e opiniões dos homens. O papel fundamental da hipótese na pesquisa é sugerir explicações para os fatos. Essas sugestões podem ser a solução para o problema. Hipóteses podem ser verdadeiras ou falsas, mas, sempre que bem elaboradas, conduzem à verificação empírica, que é o propósito da pesquisa cientifica.As hipóteses originam-se de diferentes fontes, a exemplo de: observação dos fatos; outras pesquisas já realizadas e existem hipóteses derivadas de teorias e do senso comum do pesquisador. Características de Hipóteses Testáveis Deve ser conceitualmente clara; Deve ser específica; Deve ter referências empíricas (as hipóteses que envolvem julgamento de valor não podem ser testadas); Deve estar relacionada com uma teoria. Exemplos de Hipóteses “As mulheres dos bairros das vilas proletárias têm uma escolaridade maior que os homens dessas mesmas vilas” “As crianças que repetem a primeira série do primeiro grau das escolas públicas são de baixo nível sócio-econômico”. “O estudo em grupo contribui para um alto grau de desempenho escolar” INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS QUESTIONÁRIOS Vantagens maiores: possibilidade de abranger grande número de pessoas, é útil onde se procura informações de pessoas que estão geograficamente dispersas, é eficaz quando aplicado a grupos de nível instrucional alto, custa menos que entrevistas. Limitações: grau de instrução e boa vontade do pesquisado. É importante observar a apresentação gráfica do questionário, que deve ser apresentado de maneira que estimule o entrevistado a responder as perguntas. Ao elaborar o questionário, o pesquisador deverá está atento ao problema de pesquisa, hipóteses e variáveis. Deverá ser elaborado após a definição dessas etapas da pesquisa. Deve conter uma introdução que explique os objetivos da pesquisa e a forma do seu preenchimento. Observar o tempo, para evitar que o entrevistado não seja devidamente estimulado para responder adequadamente as questões. Algumas sugestões a respeito da elaboração do questionário: 1. devem ser formuladas perguntas relacionadas ao problema de pesquisa 2. as perguntas podem ser abertas, fechadas ou mistas. 3. devem ser formuladas perguntas que o entrevistado saiba responder 4. as perguntas devem ser formuladas obedecendo a uma cronologia temporal. As respostas que se referem fatos recentes, devem ser formuladas inicialmente; as demais, no final. 5. as perguntas mais simples devem ser perguntadas inicialmente, e as mais complexas no final. 6. a pergunta deve possibilitar uma única interpretação. 7. as perguntas devem ser formuladas de forma clara, concreta e precisa. 8. devem ser evitadas perguntas que penetrem na intimidade das pessoas. 9. devem ser evitadas perguntas estereotipadas, bem como perguntas personalizadas. Após a elaboração do questionário, é imprescindível a realização do pré-teste, tendo em vista verificar o tempo e a compreensão das perguntas pelos entrevistados. Ou seja, o pré-teste mostrará a clareza e precisão dos termos, a quantidade de perguntas, a forma e ordem das perguntas. Após a aferição do questionário pelo pré-teste, o pesquisador fará as devidas correções aplicará o questionário. O questionário pode ser aplicado diretamente pelo entrevistador, por entrevistadores devidamente treinados ou enviado pelo correio, fax e mais recentemente por meio da Internet. Sua confecção é feita pelo pesquisador, seu preenchimento é realizado pelo informante. A linguagem utilizada no questionário deve ser simples e direta para que o respondente compreenda com clareza o que está sendo perguntado. Não é recomendado o uso de gírias, a não ser que se faça necessário por necessidade de características de linguagem do grupo (grupo de surfistas, por exemplo). Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num universo reduzido, para que se possam corrigir eventuais erros de formulação. Conteúdo de um questionário: Carta Explicação, que deve conter: – A proposta da pesquisa; Instruções de preenchimento; Instruções para devolução; Incentivo para o preenchimento e Agradecimento. Para que as respostas possam ter maior significação é interessante não identificar diretamente o respondente com perguntas do tipo NOME, ENDEREÇO, TELEFONE etc., a não ser que haja extrema necessidade, como para selecionar alguns questionários para uma posterior entrevista. ENTREVISTA Vantagens maiores: permite estreito relacionamento entre pesquisador e pesquisado. Limitações: interpretações dos dados deve ser feita com cuidado, algumas verbalizações parecem transparentes, podendo ser interpretadas erroneamente. Podem ser estruturadas (com um roteiro fixo inalterável), não-estruturada (sem roteiro, apenas com um tópico motivador) ou semi-estruturada (com um roteiro flexível). É necessário ter um plano para a entrevista para que no momento em que ela esteja sendo realizadas as informações necessárias não deixem de ser colhidas. As entrevistas podem ter o caráter exploratório ou ser de coleta de informações. Se a de caráter exploratório é relativamente estruturada, a de coleta de informações é altamente estruturada. Sugestões de planejamento para se realizar uma entrevista: Quem deve ser entrevistado: Procure selecionar pessoas que realmente têm o conhecimento necessário para satisfazer suas necessidades de informação. Plano da entrevista e questões a serem perguntadas. Prepare com antecedência as perguntas a serem feitas ao entrevistado e a ordem em que elas devem acontecer. Pré-teste: Procure realizar uma entrevista com alguém que poderá fazer uma crítica de sua postura antes de se encontrar com o entrevistado de sua escolha. OBSERVAÇÃO Vantagem maior: obtenção da informação quando ocorre. Limitações: são questionadas sua fidedignidade e validade em função do modo como o pesquisador se integra ao grupo, não recomendada se feita por um ou poucos pesquisadores, em função da multiplicidade de eventos a registrar. Pode ser Participante (quando o pesquisador se integra ao grupo, participando dos eventos) ou Não-Participante (quanto não se integra, limitando-se apenas a registrar os eventos). Antes de iniciar o processo de observação, procure examinar o local. Determine que tipos de fenômenos merecerão registros. Planejamento de um método de registro: Crie, com antecedência, uma espécie de lista ou mapa de registro de fenômenos. Procure estipular algumas categorias dignas de observação. Fenômenos não esperados: Esteja preparado para o registro de fenômenos que surjam durante a observação, que não eram esperados no seu planejamento. REGISTROS ICONOGRÁFICOS: Para realizar registros iconográficos (fotografias, filmes, vídeos etc.), caso o objeto de sua observação sejam indivíduos ou grupos de pessoas, prepare-os para tal ação. Eles não devem ser pegos de surpresa. ANÁLISE DE CONTEÚDO: Os documentos como fonte de pesquisa podem ser primárias ou secundárias. As fontes primárias são os documentos que gerarão análises para posterior criação de informações. Podem ser decretos oficiais, fotografias, cartas, artigos etc. As fontes secundárias são as obras nas quais as informações já foram elaboradas (livros, apostilas, teses, monografias, etc., por exemplo). Sugestões para análise de documentos: a - Locais de coletas: Determine com antecedência que bibliotecas, agências governamentais ou particulares, instituições, indivíduos ou acervos deverão ser procurados. b - Registro de documentos: Esteja preparado para copiar os documentos, seja através de xerox, fotografias ou outro meio qualquer. c - Organização: Separe os documentos recolhidos de acordo com os critérios de sua pesquisa. HISTÓRIA DE VIDA: O pesquisado livremente reconstrói sua vida até os dias presentes. Retira-se os fatos mais relevantes para a pesquisa. TESTES: O pesquisado indica seu grau de concordância com enunciados ou conta uma história a partir de uma imagem. Alguns são caricaturais: pedem para você dizer suas reações entre as descritas atribuindo-lhe pontos por opção. Depois, no escore declaram-lhe emotivo, racional... A Internet: Representa uma novidade nos meios de pesquisa, onde as informações são trocadas livremente entre todos. Sem dúvida representa uma revolução no que concerne à troca de informação. Mas, se ela pode facilitar a busca e a coleta de dados, ao mesmo tempo oferece alguns perigos; na verdade, as informações passadas por essa rede não têm critérios de manutenção de qualidade da informação. Explicando melhor: qualquer um pode colocar sua "Homepage" na rede. Vamos supor que um indivíduo coloque sua página e o objetivo seja falar sobre a História do Brasil: ele pode perfeitamente, sem que ninguém o impeça, dizer que o Brasil foi descoberto "por Diogo da Silva, no ano de 1325". Sendo assim, devemos levar em conta que toda e qualquer informação colhida na Internet deverá ser confirmada antes de divulgada. O PROJETO DE PESQUISA - Observar as normas da ABNT - Não existe um modelo único para elaborar um projeto de pesquisa, entretanto algumas exigências metodológicas são comuns a todos os projetos de pesquisa. O diferente é o conteúdo especifico de cada uma delas. - A forma de apresentação de um projeto varia de pesquisador para pesquisador. Os institutos de pesquisa, entretanto tendem a adotar fórmulas padronizadas para apresentação de projetos de pesquisa. DICAS PARA REDAÇÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS Abertura dos capítulos: captar o interesse do leitor. Exemplos: incidentes curiosos, mesmo uma anedota; fatos ou estatísticas surpreendentes; afirmações chocantes ou provocadoras; menção a problema importante aludindo a solução incomum; conceito complexo, capaz de chamar a curiosidade; episódio vivenciado pelo autor. Corpo do texto: relacionar dados, descer a pormenores, classificar, apresentar, discutir conceitos (exposição); argumentar, criticar, confrontar (argumentação). Fechamento de capítulo: 1) proporcionar sensação de satisfação no sentido de haver esclarecido o objeto nele referido. Pode-se fechar com breve sumário ou revisão dos conceitos; 2) manter a curiosidade, com referência à matéria que se segue. Menção a problemas ainda não tratados, assegurando que seu equacionamento depende do exposto no capítulo findante. Introdução de idéias novas, com promessa de exame em seguida. Colocação de considerações provocadoras, que impliquem num desenvolvimento. Exemplo para início do texto – “Sob tais condições...” Conclusão do trabalho: caráter conclusivo. Ponto final. Introdução do trabalho: reler o que escreveu. Está ok? Explicar sucintamente do que vai tratar, indicando como o fará e das razões que o levaram a escolher a maneira. Sem pormenores. Idéia geral. Dizer sobre o que versa o tema. Tema: revela o problema a ser pesquisado. Deve ser de interesse do pesquisador, que deve sentir-se apto da realizar a pesquisa. Objetivos: definição do que se pretende com precisão e clareza. Objetivo geral é o fim que se pretende alcançar com o desenvolvimento do projeto e deve ser redigido de modo claro, preciso e sem ambigüidades. O objetivo específico é o detalhamento do objetivo geral, e deve ser formulado atendendo aos seguintes critérios: a) ser formulado com o verbo no infinitivo, que define a ação ao ser cumprida; b) são intermediários e instrumentais permitindo atingir os objetivos gerais. Deve-se tomar cuidados com o uso dos verbos nos objetivos gerais e específicos, pois os que forem empregados nos objetivos gerais devem ser de maior significado e amplidão. Os verbos utilizados nos objetivos gerais devem ser de maior significado que os dos específicos. Exemplos de objetivos – “verificar quais os benefícios pedagógicos da aula expositiva na educação superior...”, “observar, descrever e interpretar como se dão as relações entre professor e aluno no curso de Pedagogia da Faculdade JK de Taguatinga-DF” Abertura de capítulo: captar o interesse do avaliador, pode-se usar fatos ou estatísticas surpreendentes, questões provocativas, episódio vivenciado pelo autor. Exemplo para início do texto – “Já há algum tempo...” Justificativa: relacionar e classificar informações, argumentar sua opção pela pesquisa. Apresentar motivos relevantes que originaram a decisão de pesquisar o assunto. Exemplos para início do texto – “movido pela intenção de...” “Além do interesse pessoal pelo assunto, o tema se impõe pela necessidade de...” Qual a utilidade da contribuição ofertada. Delimitação do problema: optar pelo aprofundamento e não pela extensão do assunto. Evitar assuntos extensos que não possibilitem melhor aprofundamento. Indicar o prisma sob o assunto será focalizado. Referencial Teórico: todo trabalho deve ter como ponto de partida um referencial teórico internacionalmente escolhido para este fim. Para isso se faz necessária uma pesquisa bibliográfica ou exploratória, para definir o estágio em que se encontra o assunto, uma caracterização inicial do problema, sua classificação e de sua definição. VERBOS SUGERIDOS PARA INDICAR OBJETIVOS EM PROJETOS E PESQUISAS Analisar, Apontar, Arrolar, Avaliar, Classificar, Comparar, Constatar, Definir, Demonstrar, Descrever, Destacar, Discutir, Enumerar, Especificar, Examinar, Identificar, Observar, Relacionar. REVISÃO DA LITERATURA A revisão bibliográfica significa um levantamento sobre o atual estado-da-arte, e refere se ao conhecimento existente sobre determinado assunto. Uma referência bibliográfica refere-se ao conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de material, utilizados como fonte de consulta e citados nos trabalhos elaborados. Uma referência bibliográfica tem elementos essenciais (indispensáveis para a identificação das fontes das citações de um trabalho) e os complementares (são os opcionais, que podem ser acrescentados aos essenciais para melhor caracterizar as publicações referenciadas). Ajudará na identificação do problema da pesquisa. Normalmente, a pesquisa bibliográfica é delineada a partir das seguintes fases: - definição do tema de pesquisa, elaboração do problema de pesquisa, formulação das hipóteses, definição dos objetivos, elaboração do plano de trabalho, identificação das palavras-chave, identificação das fontes bibliográficas, leitura do material, tomada de apontamentos, confecção de fichas, redação do trabalho. A leitura do material bibliográfico deve seguir os seguintes objetivos: - identificar as informações e os dados constantes do material impresso, - estabelecer relações entre as informações e os dados obtidos com o problema proposto; - analisar a consistência das informações e dados apresentados pelos autores. As anotações das leituras bibliográficas são tomadas em fichas (de resumo, de citações, analíticas), cujos principais objetivos são os seguintes: - identificação das obras consultadas, registro do conteúdo das obras, registro dos comentários acerca das obras, ordenação dos registros. Estilo da redação bibliográfica: a redação técnico-científica não exige um estilo agradável do ponto de vista literário. Torna-se importante ao estilo técnico-científico os seguintes pontos: - impessoalidade: convém que o relatório seja redigido na 3ª pessoa; - clareza: as idéias devem ser apresentadas de forma que não permitam ambigüidade, logo é importante o uso de termos e palavras com sentidos exatos; - precisão: as ciências dispõem de terminologias técnicas, especializadas e próprias do seu conteúdo, logo o pesquisador não pode ignorá-las. - concisão: as frases devem ser escritas de forma simples e curtas, facilitando sempre a compreensão do leitor. Citações: as idéias de outros autores, quando citadas, devem vir entre aspas. Quando breves, podem ser inseridas no próprio texto Quando longas (a partir de três linhas) devem ser destacadas, mediante afastamento de 4 cm da margem esquerda. As citações podem ser sob a forma de transcrição, em que se reproduz o texto, ou de paráfrase, em que se usa a citação livre do texto, sem reprodução. As citações podem ser diretas, quando reproduzem diretamente o texto original ou citação da citação, quando são retiradas de uma fonte intermediária. O Levantamento de Literatura é a localização e obtenção de documentos para avaliar a disponibilidade de material que subsidiará o tema do trabalho de pesquisa. Este levantamento é realizado junto às bibliotecas ou serviços de informações existentes. Sugestões para o Levantamento de Literatura Locais de coletas: determine com antecedência que bibliotecas, agências governamentais ou particulares, instituições, indivíduos ou acervos deverão ser procurados. Registro de documentos: esteja preparado para copiar os documentos, seja através de xerox, fotografias ou outro meio qualquer. Organização: separe os documentos recolhidos de acordo com os critérios de sua pesquisa. O levantamento de literatura pode ser determinado em dois níveis: a - Nível geral do tema a ser tratado: relação de todas as obras ou documentos sobre o assunto. b - Nível específico a ser tratado: relação somente das obras ou documentos que contenham dados referentes à especificidade do tema a ser tratado. JUSTIFICATIVA A justificativa num projeto de pesquisa, como o próprio nome indica, é o convencimento de que o trabalho de pesquisa é fundamental de ser efetivado. O tema escolhido pelo pesquisador e a hipótese levantada são de suma importância, para a sociedade ou para alguns indivíduos, de ser comprovada. Deve-se tomar o cuidado, na elaboração da justificativa, de não se tentar justificar a hipótese levantada, ou seja: tentar responder ou concluir o que vai ser buscado no trabalho de pesquisa. A justificativa exalta a importância do tema a ser estudado, ou justifica a necessidade imperiosa de se levar a efeito tal empreendimento. METODOLOGIA A Metodologia é a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no método (caminho) do trabalho de pesquisa. É a explicação do tipo de pesquisa, do instrumental utilizado (questionário, entrevista etc), do tempo previsto, da equipe de pesquisadores e da divisão do trabalho, das formas de tabulação e tratamento dos dados, enfim, de tudo aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa. ANEXOS OU APÊNDICES Estes itens também só são incluídos caso haja necessidade de juntar ao Projeto algum documento que venha dar algum tipo de esclarecimento ao texto. A inclusão, ou não, fica a critério do autor da pesquisa. Anexo é texto ou documento não elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração; Apêndice é texto ou documento elaborado pelo autor, que serve às mesmas finalidades do Anexo. (NBR 14724/02). REFERÊNCIAS As referências dos documentos consultados para a elaboração do Projeto é um item obrigatório. Nela normalmente constam os documentos e qualquer fonte de informação consultados no Levantamento de Literatura. As normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT para elaboração das Referências denomina-se NBR 6023/2002. GLOSSÁRIO São as palavras de uso restrito ao trabalho de pesquisa ou pouco conhecidas pelo virtual leitor, acompanhadas de definição. Também não é um item obrigatório. Sua inclusão fica a critério do autor da pesquisa, caso haja necessidade de explicar termos que possam gerar equívocos de interpretação por parte do leitor. ESTRUTURA DE UM TRABALHO (NBR 1474/02) - capa - folha de rosto - errata (*) - folha de aprovação - dedicatória (*) - agradecimentos (*) - epígrafe (*) - resumo na língua vernácula - resumo em língua estrangeira - lista de ilustrações (*) - lista de tabelas (*) - lista de abreviaturas e siglas (*) - sumário - texto: introdução / desenvolvimento / conclusão - anexos ou apêndices (*) - referências bibliográficas - glossário (*) (*) - Elementos adicionados de acordo com as necessidades (opcionais). O demais elementos são obrigatórios. Modelo de estrutura de um trabalho completo: Capa: deve conter - Instituição onde o trabalho foi executado (margem superior) - Título do trabalho e Nome do autor (Centralizado) - Cidade e ano de conclusão do trabalho (margem inferior) OBS.: A Associação Brasileira de Normas Técnicas não determina a disposição destes dados na folha. Esta distribuição deve ser definida pelo professor ou pela Instituição, para uniformização de seus trabalhos acadêmicos. Folha de Rosto: deve conter - As mesmas informações contidas na Capa e o texto de exigência (finalidade do trabalho) Dedicatória: Tem a finalidade de se dedicar o trabalho a alguém, como uma homenagem de gratidão especial. Este item é dispensável. Agradecimento: É a revelação de gratidão àqueles que contribuíram na elaboração do trabalho. Também é um item dispensável. Sumário: "Enumeração das principais divisões, seções e outras partes de um documento, na mesma ordem em que a matéria nele se sucede". Ver ABNT NBR 6027. O título de cada seção deve ser digitado com o mesmo tipo de letra em que aparece no corpo do texto. A indicação das páginas localiza-se à direita de cada seção. Texto: É a parte onde todo o trabalho de pesquisa é apresentado e desenvolvido. O texto deve expor um raciocínio lógico, ser bem estruturado, com o uso de uma linguagem simples, clara e objetiva. Desenvolvimento do Texto: O corpo do trabalho é onde o tema é discutido pelo autor. As hipóteses a serem testadas devem ser claras e objetivas. Devem ser apresentados os objetivos do trabalho. A revisão de literatura deve resumir as obras já trabalhadas sobre o mesmo assunto. Deve-se mencionar a importância do trabalho, justificando sua imperiosa necessidade de se realizar tal empreendimento. Deve ser bem explicada toda a metodologia adotada para se chegar às conclusões. Referências: É o conjunto de indicações que possibilitam a identificação de documentos, publicações, no todo ou em parte. As obras são identificadas na seguinte ordem. Ver ABNT NBR 10520/2001. Glossário: é a explicação dos termos técnicos, verbetes ou expressões que constem do texto. Sua colocação é opcional. Organização do Corpo do Texto: Citações (NBR 10520/02), quando se quer transcrever o que um autor escreveu. Regras gerais de apresentação de citações: As chamadas pelo sobrenome do autor ou pela instituição devem ser em letras maiúsculas e minúsculas e, quando estiverem entre parênteses, devem ser em letras maiúsculas. Citação Direta Curta (NBR 12256) - com menos de 3 linhas - Deve ser feita na continuação do texto, entre aspas. Ex.: Maria Ortiz, moradora da Ladeira do Pelourinho, em Salvador, que de sua janela jogou água fervendo nos invasores holandeses, incentivando os homens a continuarem a luta. Detalhe pitoresco é que na hora do almoço, enquanto os maridos comiam, as mulheres lutavam em seu lugar. Este fato levou os europeus a acreditarem que "o baiano ao meio dia vira mulher" (MOTT, 1988, p. 13). Obs.: MOTT - autor que faz a citação. 1988 - o ano de publicação da obra deste autor na bibliografia. p. 13 - refere-se ao número da página onde o autor fez a citação (NBR 10520). Citação Direta Longa (NBR 10520/02), com 3 linhas ou mais - As margens são recuadas à direita, com distância de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que a utilizada, sem aspas, em espaço um (1). Ex.: Além disso, a qualidade do ensino fornecido era duvidosa, uma vez que as mulheres que o ministravam não estavam preparadas para exercer tal função. A maior dificuldade de aplicação da lei de 1827 residiu no provimento das cadeiras das escolas femininas. Não obstante sobressaírem as mulheres no ensino das prendas domésticas, as poucas que se apresentavam para reger uma classe dominavam tão mal aquilo que deveriam ensinar que não logravam êxito em transmitir seus exíguos conhecimentos. Se os próprios homens, aos quais o acesso à instrução era muito mais fácil, se revelavam incapazes de ministrar o ensino de primeiras letras, lastimável era o nível do ensino nas escolas femininas, cujas mestras estiveram sempre mais ou menos marginalizadas do saber (SAFIOTTI, 197, p. 193). Citação de Citação: É a citação feita por outro pesquisador. Ex.: O Imperador Napoleão Bonaparte dizia que "as mulheres nada mais são do que máquinas de fazer filhos" (apud LOI, 1988, p. 35). Obs.: apud = citado por. Citação Indireta: É a citação de um texto, escrito por um outro autor, sem alterar as idéias originais. Ou então: eu reproduzo sem distorcer, com minhas próprias palavras, as idéias desenvolvidas por um outro autor. Pode ser chamada também de paráfrase. Ex.: Somente em 15 de outubro de 1827, depois de longa luta, foi concedido às mulheres o direito à educação primária, mas mesmo assim, o ensino da aritmética nas escolas de meninas ficou restrito às quatro operações. Note-se que o ensino da geometria era limitado às escolas de meninos, caracterizando uma diferenciação curricular (COSENZA, 1993, p. 6). Localização das Citações a) No texto: A citação vem logo após o texto, conforme nos exemplos acima. b) Em nota de rodapé: No rodapé da página onde aparece a citação. Neste caso coloca-se um número ou um asterisco sobrescrito que deverá ser repetido no rodapé da página. c) no final de cada parte ou capítulo: As citações aparecem em forma de notas no final do capítulo. Devem ser numeradas em ordem crescente. d) No final do trabalho: Todas as citações aparecem no final do trabalho listadas em ordem numérica crescente, no todo ou por capítulo. Paginação: Existem dois níveis para numeração das páginas Antes do Sumário: conta-se a partir da Folha de Rosto e os números são em algarismos romanos. A numeração em romanos termina quando começa o texto (Sumário). São contadas na numeração, mas não recebem números a folha de rosto, a primeira página do texto (página 1) e as páginas que iniciam um capítulo. Depois do Sumário: As páginas são numeradas em algarismos arábicos, colocados no canto superior direito, a um espaço duplo acima da primeira linha. A numeração em algarismos arábicos inicia-se a partir da Introdução (página 1). São contadas na numeração, mas não recebem números a primeira página do texto e as páginas que iniciam um capítulo. Formato 1 - Papel formato A-4 (210 X 297 mm) - branco 2 - Margens de: 3,0 cm na parte superior 2,0 cm na inferior 3,0 cm no lado esquerdo 2,0 cm no lado direito 3 - Corpo da letra: 12 4 - Tipo da letra: Times News Roman ou Arial (no MS Word) 5 - Espaço entrelinhas: 2 (duplo) ASPECTOS GRÁFICOS DE UM TRABALHO CIENTÍFICO: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (ABNT NBR 6023/2002) Espaçamento: as referências devem ser digitadas, usando espaço simples entre as linhas e espaço duplo para separá-las. Margem: As referências são alinhadas somente à margem esquerda. Pontuação: 1)Usa-se ponto após o nome do autor/autores, após o título, edição e no final da referência; 2)Os dois pontos são usados antes do subtítulo, antes da editora e depois do termo In:; 3)A vírgula é usada após o sobrenome dos autores, após a editora, entre o volume e o número, páginas da revista e após o título da revista; 4)O Ponto e vírgula seguido de espaço é usado para separar os autores; 5)O hífen é utilizado entre páginas (ex: 10-15) e, entre datas de fascículos seqüenciais (ex: 1998-1999); 6)A barra transversal é usada entre números e datas de fascículos não seqüenciais (ex: 7/9, 1979/1981); 7)O colchetes é usado para indicar os elementos de referência, que não aparecem na obra referenciada, porém são conhecidos (ex: [1991]); 8)O parêntese é usado para indicar série, grau (nas monografias de conclusão de curso e especialização, teses e dissertações) e para o título que caracteriza a função e/ou responsabilidade, de forma abreviada. (Coord., Org., Comp.). Ex: BOSI, Alfredo (Org.) Maiúsculas: usa-se maiúsculas ou caixa alta para: 9)Sobrenome do autor; 10)Primeira palavra do título quando esta inicia a referência ( ex.: O MARUJO); 11)Entidades coletivas (na entrada direta); 12)Nomes geográficos (quando anteceder um órgão governamental da administração: Ex: BRASIL. Ministério da Educação); 13)Títulos de eventos (congressos, seminários, etc.). Grifo: usa-se grifo, itálico ou negrito para: 14)Título das obras que não iniciam a referência; 15)Título dos periódicos; 16)Nomes científicos, conforme norma própria. Monografia no todo (livros, dissertações, teses etc...) Dados essenciais: 17)Autor; 18)Título e subtítulo; 19)Edição (número); 20)Imprenta (local: editora, data). Dados complementares: 21)Descrição física (número de páginas ou volumes), ilustração, dimensão; 22)Série ou coleção; 23)Notas especiais; 24)ISBN. ARTIGO CIENTÍFICO A NBR 6022 da ABNT define artigo como “texto com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento.” Artigo – escrito de extensão variável, que trata de determinado assunto, geralmente destinado a uma publicação periódica. Salvador (1997:24) define como: “Os artigos científicos, que constituem a parte principal de revistas, são trabalhos científicos completos em si mesmos, mas de dimensão reduzida, já que não possuem matéria suficiente para um livro.” ENSAIO CIENTÍFICO Ensaio, hoje, passou a ser sinônimo de um estudo bem desenvolvido, formal, discursivo e concludente. Contudo, não se constitui num estudo em definitivo. É uma primeira tentativa de sistematização das idéias ou fatos de assuntos pouco explorados. Enfoca implícita ou explicitamente um enfoque pessoal e original sobre um determinado problema. PAPERS É o texto escrito de uma comunicação oral. Constitui-se do material utilizado para publicação em atas ou anais do evento em que foi apresentada, podendo apresentar somente o resumo ou a obra integral em questão. É traduzido, nas obras de documentação, por artigo, o que não corresponde a seu significado real, e segue as normas de trabalhos escritos em geral, ou, mais especificamente, as do artigo científico. RESENHA É uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos.” (LAKATOS, 1986:217) “Resenha, revista de livros ou análise bibliográfica, é uma síntese ou um comentário dos livros publicados feitos em revistas especializadas das várias áreas da ciência, das artes e da filosofia” (SEVERINO, 1986:180): “Resenha – tipo de resumo crítico, contudo, mais abrangente: permite comentários e opiniões, inclui julgamento de valor, comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da obra com relação às outras do mesmo gênero”. (ANDRADE, 1999:78) Apesar de intensa pesquisa bibliográfica, não foi possível encontrar, nas obras referentes à Documentação e Normalização, inclusive na ABNT uma definição precisa de resenha. Sendo assim, tomaremos por base os conceitos descritos pelos autores supracitados. TIPOS DE RESENHA Alguns autores, como Antônio Joaquim Severino, estabelecem a distinção entre resenha informativa e resenha crítica: “Uma resenha pode ser puramente informativa, limitando-se a expor o conteúdo do texto resenhado com a maior objetividade possível” (SEVERINO,1985:181 apud ANDRADE, 1999:76) “A resenha crítica é, pois, a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma avaliação crítica. Na resenha crítica, expõe-se claramente e com certos detalhes o conteúdo da obra, e, tendo em vista o propósito da obra, os leitores aos quais se dirige e o método que sugere, faz-se uma análise e uma apreciação crítica do conteúdo, da disposição das partes, do método, de sua forma ou estilo e, se for o caso, da apresentação tipográfica.” (SALVADOR, 1986:19 apud JOHANN, 1997:52) A análise dos conceitos apresentados sobre resenha em obras de Metodologia Científica, nos leva a concordar com Andrade (1999:76), quando declara que: “resenha crítica é no mínimo redundante”. FINALIDADES Segundo Medeiros (1991:73) apud Andrade (1999:77), a resenha deve: “Resumir as idéias da obra, avaliar as informações nela contidas e a forma como foram expostas e justificar a avaliação realizada.” Para Severino (1986:181) “a resenha pode ter finalidade puramente informativa, expondo o conteúdo do texto de maneira mais objetiva possíveis. Porém as mais úteis são as que, além de informativas, realizam comentários críticos e interpretativos: discutindo, avaliando, comparando”. Andrade (1999:80), comenta que “(...) resenha não é apenas resumo ou resumo crítico, à medida que não se limita ao conteúdo da obra resenhada, estendendo os comentários às outras obras do mesmo gênero.” IMPORTÂNCIA DA RESENHA Na opinião de Salomon (1977:168) apud Andrade (1999:78), a redação de resenhas não só é importante, mas: “imprescindível para desenvolver a mentalidade científica, constituindo-se no primeiro passo para introduzir o iniciante na pesquisa e na elaboração de trabalhos monográficos.” Tal opinião é endossada por Severino (Idem): “A elaboração de resenhas concretiza o desejo de os estudantes contribuírem às revistas especializadas de sua área, e uma efetiva maneira de se iniciar no campo das publicações.” Devido a resenha trazer comentários sobre a obra, ela possibilita uma rápida impressão do conteúdo de uma obra, auxiliando na decisão sobre a conveniência de consultar, ou não, o texto integral. Com a atual explosão documental, em que um número elevado de publicações são lançadas no mercado científico, devemos atentar para o fato de que nem sempre essas produções são de boa qualidade e relevância científica, e nesse sentido, a resenha além de emitir juízo de valor sobre as obras, ela ainda traz indicações das demais obras que discutem o mesmo assunto. Bem como auxilia na economia de tempo e dinheiro em possíveis leituras desnecessárias aos pesquisadores. ELABORAÇÃO DE RESENHA Exigências: Para Salvador (1986:19) apud Johann (1997:52), a resenha requer exigências de quem a elabora, tais como: a) Conhecimento completo da obra (...) b) Competência na matéria exposta no livro, bem como do método empregado (...) c) Capacidade de juízo crítico para distingüir claramente o essencial do supérfluo. d) Independência de juízo para ler, expor e julgar com isenção de preconceitos, simpatias, ou antipatias (...) e) Correção e urbanidade, respeitando sempre a pessoa do autor e suas intenções (...) f) Fidelidade ao pensamento do autor (...) Estrutura da Resenha (LAKATOS, 1986: 219) 1. Referência Bibliográfica Autor (es) Título (subtítulos) Imprenta (local da edição, editora, data) Número de páginas Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc) 2. Credenciais do autor Informações gerais sobre o autor Autoridade no campo científico Quem fez o estudo? Quando? Por quê? Onde? 3. Conhecimento Resumo detalhado das idéias principais De que trata a obra? O que diz? Possui alguma característica especial? Como foi abordado o assunto? Exige conhecimentos prévios para entendê-lo? 4. Conclusão do autor O autor faz conclusões? (Ou não?) Onde foram colocadas? (Final do livro ou dos capítulos?) Quais foram? 5. Quadro de referências do autor Modelo teórico Que teoria serviu de embasamento? Qual o método utilizado? 6. Apreciação a) Julgamento da obra: Como se situa o autor em relação: - Às escolas ou correntes científicas, filosóficas, culturais? - Às circunstâncias culturais, sociais, econômicas,históricas etc.? b) Mérito da obra Qual a contribuição dada? Idéias verdadeiras, originais, criativas? Conhecimentos novos, amplos, abordagem diferente? c) Estilo Conciso, objetivo, simples? Claro, preciso, coerente? Linguagem correta? Ou o contrário? d) Forma Lógica sistematizada? Há originalidade e equilíbrio na disposição das partes? e) Indicação da Obra A quem é dirigida: grande público, especialistas, estudantes? MODELO DE RESENHA Para a perfeita compreensão de um texto resenhado, o professor Antonio Rubbo Muller (USP), criou um modelo simplificado que representa todas as partes necessárias: 1. Obra a) autoria (autor ou autores) b) título (incluindo o subtítulo, se houver) c) comunidade onde foi publicada d) firma publicadora e) ano de publicação f) edição (a partir da segunda) g) número de páginas ou de volumes h) ilustrações (tabelas, gráficos, desenhos etc.) i) formato (em cm) j) preço 2. Credenciais da autoria a) nacionalidade b) formação universitária ou especializada c) títulos d) cargos exercidos e) outras obras 3. Conclusões da autoria a) quer separadas no final da obra, quer apresentadas no final dos capítulos, devem ser sintetizadas as principais conclusões a que o autor da obra resenhada chegou em seu trabalho b) caso não se apresentem separadas do corpo da obra, o resenhista, analisando o trabalho, deve indicar os principais resultados obtidos pelo autor 4. Digesto a) resumo das principais idéias expressas pelo autor b) descrição sintetizada do conteúdo dos capítulos ou partes em que se divide a obra 5. Metodologia da autoria a) método de abordagem (indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético) b) método de procedimento (histórico, comparativo, monográfico, estatístico, tipológico, funcionalista, estruturalista, etnográfico etc.) c) modalidade empregada (geral, específica, intensiva, extensiva, técnica, não técnica, descritiva, analítica, etc.) d) técnicas utilizadas (observação, entrevista, formulários, questionários, escalas de atitudes e de opinião etc.) 6. Quadro de referência da autoria a) corrente de pensamento em que se filia (evolucionismo, materialismo histórico, historicismo, funcionalismo etc.) b) modelo teórico (teoria da ação social, teoria sistêmica,teoria da dinâmica cultural etc.) 7. Quadro de referência do resenhista O resenhista pode aceitar e utilizar, na análise da obra, o quadro de referência empregado pelo autor ou, ao contrário, pela sua formação científica, possuir outro. É necessário a explicitação do quadro de referência do resenhista, pois terá influência decisiva tanto na seleção dos tópicos e partes que considera mais importantes para a análise quanto na elaboração da crítica que se segue. 8. Crítica do resenhista a) Julgamento da obra do ponto de vista metodológico: - coerência entre a posição central e a explicação, discussão e demonstração - adequado emprego de métodos e técnicas específicas b) Mérito da obra: - originalidade - contribuição para o desenvolvimento da ciência, quer por apresentar novas idéias e/ou resultados, quer por utilizar abordagem diferente c) Estilo empregado 9. Indicações do resenhista a) a quem é dirigida (especialistas, estudantes, leitores em geral)? b) fornece subsídios para o estudo de que disciplina(s)? c) pode ser adotado em que tipo de curso? Outro modelo mais sintético é apresentado por Barras (1979: 139) apud Andrade (1999: 80), onde a resenha deve ter início com referências bibliográficas da obra; no corpo do trabalho, o resenhista deve responder as seguintes indagações: “De que trata o livro? Tem ele alguma característica especial? De que modo o assunto é abordado? Que conhecimentos prévios são exigidos para entendê-lo? A que tipo de leitor se dirige o autor? O tratamento dado ao tema é compreensivo? O livro foi escrito de modo interessante e agradável? As ilustrações foram bem escolhidas? O livro foi bem organizado? O leitor, que é a quem o livro se destina, irá achá-lo útil? Que resulta da comparação dessa obra com outras similares (caso existam) e com outros trabalhos do mesmo autor?” A Resenha possui grande importância no meio científico, como contribuinte no desenvolvimento do conhecimento, uma vez que compila informações sobre bibliografias publicadas emitindo um juízo de valor. O que vem a auxiliar na escolha da leitura. Um dos fatores mais importantes e indispensáveis na elaboração de uma resenha vem a ser a ética profissional do resenhista. EXERCÍCIOS 1) Considerando a evolução humana, como nasceu a ciência metódica? 2) O que quis dizer Descartes com a frase Penso, Logo Existo? 3) Que método pregava Francis Bacon? 4) Que método defendia René Descartes? 5) No século XIX a ciência passou a ter uma importância fundamental. Comente a afirmação. 6) Na sociologia, qual a principal contribuição de Augusto Comte? 7) Na Economia, qual a principal contribuição de Karl Marx para o desenvolvimento do conhecimento científico? 8) E na Antropologia, com Charles Darwin? 9) O que é uma Pesquisa Experimental e dê exemplo: 10) O que é Pesquisa Exploratória e dê exemplo: 11) O que é Pesquisa Social e dê exemplo: 12) O que é Pesquisa Histórica e dê exemplo: 13) O que é uma Pesquisa Teórica e dê exemplo: 14) Dê um exemplo de fator interno que pode interferir na escolha do tema de uma pesquisa: 15) Dê exemplo de fator externo que pode influenciar na escolha de tema de pesquisa: 16) O que é a Revisão de Literatura num processo de pesquisa? 17) O que é o Problema de uma Pesquisa? 18) O que é uma hipótese científica? 19) O que é a Justificativa em uma Pesquisa Científica? 20) De que trata o item Metodologia numa pesquisa científica? 21) Conceitue Ciência. 22) Qual é o objetivo básico da atividade científica? 23) Cite uma vantagem do método científico: 24) Conceitue método: 25) Conceitue técnica: 26) Conceitue o método científico: 27) Relacione cinco métodos científicos: 28) Dê uma característica do método indutivo: 29) Dê uma característica do método dedutivo: 30) Dê uma característica do MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO: 31) Dê uma característica do método dialético: 32) Dê uma característica do método fenomenológico: 33) Quais são as técnicas de raciocínio? 34) Conceitue estudo experimental: 35) Como são classificadas as ciências DO PONTO DE VISTA DA INVESTIGAÇÃO? 36) O que são ciências não-empíricas? 37) Diga uma característica das ciências empíricas: 38) Dê exemplos de ciências não-empíriricas: 39) Dê exemplos de ciências empíricas: 40) O que é uma PESQUISA EXPLORATÓRIA? 41) Dê características da dialética socrática: 42) O que era a dialética para Aristóteles? 43) O que era a dialética para Descartes? 44) O que era a dialética para Hegel? 45) O que era a dialética para Marx? 46) O que é o conhecimento empírico, também denominado conhecimento vulgar? 47) O que é o conhecimento científico? 48) O que é o CONHECIMENTO FILOSÓFICO? 49) O que é o CONHECIMENTO TEOLÓGICO? 50) Qual o primeiro passo para o preparo de uma pesquisa? 51) O que é uma Pesquisa Documental? 52) O que é uma Pesquisa Bibliográfica? 53) O que é a Observação Participante? 54) Cite um dos três critérios para a Formulação de Problemas Científicos: 55) Conceitue hipótese científica: 56) Qual o papel fundamental da hipótese na pesquisa? 57) O que pretendem os estudos descritivos? 58) O que é a revisão bibliográfica? 59) De que trata a justificativa em uma pesquisa? 60) Conceitue artigo: 61) Fale sobre o ensaio: 62) O que é um paper? 63) O que uma resenha? 64) O que é uma resenha informativa? 65) O que é uma resenha crítica? 66) Fale das finalidades da resenha: 67) Fala da importância de uma resenha: 68) Fale do papel das revistas científicas: 69) Elabore o referencial bibliográfico básico de acordo com as normas da ABNT NBR 6023/2002, a partir das informações a seguir: Nome do livro: Oficina de Dinâmica de Grupos para Empresas, Escolas e Grupos Comunitários. Volume I. 12ª edição. Autor: Simão de Miranda Editora: Papirus Editora Ltda. Local: Campinas, São Paulo. Ano de publicação: 1998. ISBN: 85-308-0585-2 BIBLIOGRAFIA: ANDRADE, Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1999. JOHANN, Jorge Renato (coord.). Introdução ao método científico: conteúdo e forma do conhecimento. 2.ed. Canoas: EdULBRA, 1997. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1985. REY, Luís. Como redigir trabalhos científicos. São Paulo: Edgard Blücher, EdUSP, 1972. SÁ, Elisabeth Schneider de (coord.). Manual de normalização de trabalhos técnicos científicos e culturais. Petrópolis: Vozes, 1994. . SALVADOR, Ângelo Domingos. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. 3 ed. Porto Alegre: Sulinas, 1973.     PAGE  PAGE 3 r|~š¼¾     ðÖ®—Ö{dJd({Bjh<2ˆhùX´5@ˆB*CJOJQJRH–U\aJph3hùX´hùX´5@ˆB*CJOJQJRH–\aJph-hùX´5@ˆB*CJOJQJRH–\aJph6jhùX´5@ˆB*CJOJQJRH–U\aJph-hVqh#ú@ˆB*CJ$OJQJRH–aJ$ph'hVq@ˆB*CJ$OJQJRH–aJ$ph'hùX´@ˆB*CJ$OJQJRH–aJ$ph3hVqh#ú5@ˆB*CJ$OJQJRH–\aJ$phh^0w5B*CJ$\aJ$ph   Hr~š¼D î ô 4 < = Š óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóêêäßägdVq Æ™# $7$8$H$a$ $7$8$H$a$gd^0wfÑ‹Ñþþ @ B D F ” – ˜ ¼ ¾ ì î ð ò ô è̵̞|ÌèÌžbP;&)hVqh#ú@ˆB*OJQJRH–aJph)hVqhr¤@ˆB*OJQJRH–aJph#h"*E@ˆB*OJQJRH–aJph3hùX´hùX´5@ˆB*CJOJQJRH–\aJphBjÛh<2ˆhùX´5@ˆB*CJOJQJRH–U\aJph-hùX´5@ˆB*CJOJQJRH–\aJph-h^0w5@ˆB*CJOJQJRH–\aJph6jhùX´5@ˆB*CJOJQJRH–U\aJph.h<2ˆhùX´0J5@ˆCJOJQJRH–\aJô ö 2 3 4 < = > ? 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A€6. a em açÿãÿo. Eles€em ideologia. E €em parte. As€em problema. E€EM PROJETOS E PESQUISASem seguida. 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